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JÚRI POPULAR

Arma, viagem e mensagens colocam versão de Hedilerson no centro do júri de Zampieri

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O interrogatório de Hedilerson Fialho Martins Barbosa levou ao centro do Tribunal do Júri de Cuiabá uma série de elementos que a acusação utiliza para sustentar a participação dele no assassinato do advogado Roberto Zampieri. O réu negou envolvimento na execução, mas confirmou que era dono da pistola 9 milímetros relacionada pela perícia ao crime, viajou com a arma para Mato Grosso e ficou hospedado no mesmo quarto que Antônio Gomes da Silva, que confessou os disparos.

Hedilerson afirmou aos jurados que viajou para Cuiabá para participar de uma competição de tiro e que não sabia de qualquer plano para matar Zampieri. Segundo sua versão, Antônio teria retirado a pistola de sua bagagem sem que ele percebesse, utilizado a arma no homicídio e depois devolvido o armamento.

Outro ponto confirmado durante o depoimento foi o pagamento da passagem para Mato Grosso pela Frente Ampla Patriótica (FAP), organização ligada ao coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que também é réu no processo. Hedilerson negou, porém, que o custeio da viagem tivesse relação com o assassinato.

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A acusação também apresentou aos jurados mensagens atribuídas ao réu. Segundo relato do delegado federal Marco Bontempo durante o julgamento, após a morte de Zampieri, Hedilerson teria enviado a Caçadini a mensagem “missão cumprida” e posteriormente mencionado um “plano de retirada”. O acusado negou que as expressões estivessem relacionadas ao homicídio e afirmou que esse tipo de vocabulário era utilizado dentro da FAP.

Também foram mencionadas conversas anteriores ao crime nas quais Antônio e Hedilerson usariam termos como “engenheiro”, “obra” e “cronograma da obra”. A Polícia Federal interpretou essas expressões como possíveis códigos relacionados à preparação do assassinato, enquanto a defesa contesta essa interpretação.

Hedilerson afirmou ainda que não conhecia Zampieri, não tinha qualquer conflito com o advogado e não possuía motivo para participar da morte. Sobre Antônio, disse que os dois se conheceram por meio do ambiente de tiro esportivo e que, durante a estadia em Cuiabá, chegaram a sair juntos para comer. Depois, segundo seu relato, encontrou o colega no quarto aparentemente cansado e suado, sem imaginar que ele pudesse ter cometido o crime.

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Para o Ministério Público, entretanto, Hedilerson teria desempenhado papel na logística da execução e no fornecimento da arma. A acusação considera, entre outros elementos, os contatos entre os réus, a viagem para Cuiabá, a hospedagem conjunta e as mensagens recuperadas durante a investigação.

O julgamento também envolve Antônio Gomes da Silva, que admitiu ter efetuado os disparos, e Etevaldo Caçadini. O crime ocorreu em 5 de dezembro de 2023, quando Zampieri foi morto a tiros nas proximidades de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. A definição sobre a responsabilidade de cada réu cabe ao Conselho de Sentença, com base nas provas e nas teses apresentadas durante o julgamento.

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