O governo federal revisou para cima a projeção do salário mínimo para 2027. A nova estimativa aponta para um piso de R$ 1.741, valor que deverá integrar a proposta de Orçamento a ser enviada ao Congresso Nacional até o fim de agosto.
A previsão anterior, divulgada em abril, era de R$ 1.717. O aumento da estimativa está relacionado principalmente à revisão da inflação esperada para este ano. Se confirmado, o novo piso representará uma alta de aproximadamente 7,4% sobre os atuais R$ 1.621.
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda passou a considerar uma inflação acumulada de 4,93% em 12 meses até novembro. Entre os fatores que podem pressionar os preços está a possibilidade de impactos do fenômeno El Niño sobre os alimentos.
O reajuste do salário mínimo considera a inflação acumulada até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para o cálculo de 2027, será utilizado o desempenho da economia brasileira em 2025, quando o PIB avançou 2,3%.
Além de afetar diretamente milhões de trabalhadores e beneficiários, a revisão também aumenta a pressão sobre as contas públicas. Isso ocorre porque o salário mínimo serve de referência para benefícios como aposentadorias do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Pelas estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no piso gera cerca de R$ 413,2 milhões em despesas adicionais. Assim, os R$ 24 acrescentados à previsão anterior poderiam representar aproximadamente R$ 9,9 bilhões a mais nos gastos obrigatórios de 2027. O valor, porém, ainda é provisório e poderá mudar até a definição oficial do salário mínimo.

























