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SUPERSALÁRIOS

Ministros do STF acumulam valores acima do teto mesmo com decisões contra “penduricalhos”

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Um levantamento revelou que parte dos integrantes do Supremo Tribunal Federal recebeu remunerações superiores ao limite constitucional mesmo já ocupando cargos na Corte. O teto do funcionalismo público está atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

De acordo com os dados, seis dos dez ministros tiveram rendimentos acima desse valor desde 2019. Entre eles estão Flávio Dino e Gilmar Mendes, que recentemente proferiram decisões liminares para restringir os chamados supersalários no setor público.

Também aparecem na lista Luiz FuxAlexandre de MoraesKassio Nunes Marques e André Mendonça. Somados, os valores extras recebidos por esses magistrados chegam a cerca de R$ 2,8 milhões no período analisado.

Pagamentos retroativos explicam valores

Grande parte das quantias que ultrapassam o teto tem origem em verbas retroativas, frequentemente chamadas de “penduricalhos”. Esses valores incluem direitos acumulados ao longo do tempo, como férias não usufruídas, folgas e outros benefícios previstos em lei.

Há ainda casos de honorários de sucumbência pagos a membros da Advocacia-Geral da União, que também podem elevar os rendimentos. A justificativa para esses pagamentos está na possibilidade de retroação de direitos, o que gera acúmulos expressivos.

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Moraes lidera valores extras

Entre os ministros, Alexandre de Moraes aparece como o que mais recebeu valores acima do teto. Entre 2019 e 2026, ele acumulou mais de R$ 1 milhão líquidos provenientes do Ministério Público de São Paulo, onde atuou antes de integrar o STF.

Já Gilmar Mendes recebeu mais de R$ 880 mil em repasses vinculados ao Ministério Público Federal, instituição em que também trabalhou anteriormente.

O ministro Flávio Dino, por sua vez, também registrou pagamentos acima do teto já no cargo atual. Em dezembro de 2024, recebeu cerca de R$ 55 mil líquidos, somando salário e valores retroativos.

Antes disso, quando era governador do Maranhão, chegou a receber mais de R$ 100 mil em um único mês.

Corte tenta restringir prática

Apesar dos pagamentos, o STF tem adotado medidas para limitar esse tipo de remuneração. Em fevereiro, Flávio Dino determinou, em decisão liminar, a proibição de pagamentos acima do teto e a criação de novos adicionais.

Na mesma linha, Gilmar Mendes suspendeu benefícios semelhantes previstos em legislações estaduais para membros do Judiciário e do Ministério Público.

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O tema deve voltar à pauta do plenário da Corte nos próximos dias, quando os ministros analisarão o mérito das decisões.

Outros ministros

Segundo o levantamento, Cármen LúciaEdson Fachin e Dias Toffoli não tiveram registros de pagamentos acima do teto no período analisado.

Já Cristiano Zanin não possui histórico em carreiras públicas que gerem esse tipo de adicional.

 

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