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POR CINCO ANOS

Gestão Emanuel manteve Banco Master na folha de servidores de Cuiabá

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A gestão do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) manteve por cinco anos o vínculo da Prefeitura de Cuiabá com o Banco Master, instituição que atualmente está no centro de investigações da Polícia Federal envolvendo seu controlador, Daniel Vorcaro.

Documentos analisados pelo MidiaNews apontam que, somente entre outubro de 2023 e julho de 2025, foram descontados R$ 4,18 milhões da folha dos servidores municipais em operações registradas na rubrica de cartão de crédito do Banco Master.

O vínculo entre a Prefeitura e a instituição teve início em setembro de 2020, ainda durante a gestão Emanuel, quando o banco utilizava o nome de Banco Máxima. O contrato previa a oferta de empréstimos e financiamentos consignados, com desconto direto na folha de pagamento dos servidores.

A relação foi prorrogada sucessivamente durante os anos seguintes. Em 2022, o prazo máximo para amortização dos empréstimos passou de 96 para 120 meses. Já no ano seguinte, o cartão de crédito consignado foi incluído expressamente no acordo.

Os valores descontados dos servidores cresceram de forma significativa ao longo do período analisado.

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Em outubro de 2023, os lançamentos registrados na rubrica de cartão de crédito somaram cerca de R$ 13,2 mil. Em dezembro de 2024, o valor chegou a R$ 269,8 mil.

Ao todo, entre outubro de 2023 e julho de 2025, foram registrados R$ 4,18 milhões em descontos relacionados ao cartão de crédito do banco.

O montante, entretanto, representa exclusivamente a soma dos lançamentos dessa rubrica e não corresponde ao total de crédito concedido pelo Banco Master aos servidores municipais.

O último aditivo contratual foi assinado em julho de 2024, ainda durante a administração Emanuel, e prorrogou o credenciamento da instituição até 8 de setembro de 2025.

A gestão do atual prefeito Abilio Brunini (PL) decidiu não renovar o vínculo quando o prazo chegou ao fim.

O encerramento do contrato ocorreu pouco mais de dois meses antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025.

Apesar de o contrato ter sido firmado durante a gestão Emanuel Pinheiro, a documentação analisada não indica que o ex-prefeito tenha assinado pessoalmente o instrumento.

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No documento original, Emanuel aparece na condição de prefeito e representante do Município. A assinatura, contudo, foi feita pela então secretária de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza.

Os aditivos posteriores foram assinados por secretários responsáveis pela pasta.

A relação entre a Prefeitura e as instituições financeiras também ocorreu em meio a um passivo relacionado aos empréstimos consignados deixado pela administração anterior.

Segundo a Prefeitura de Cuiabá, descontos realizados nos salários dos servidores nos últimos meses da gestão passada não foram integralmente repassados às instituições financeiras.

O problema teria gerado uma dívida de aproximadamente R$ 52 milhões com 17 bancos e cooperativas.

O caso envolvendo o Banco Master ganhou maior repercussão nacional após a prisão de Daniel Vorcaro e o avanço das investigações sobre as relações do banqueiro com autoridades e pessoas influentes. A situação também passou a ser alvo de apurações envolvendo operações financeiras e decisões relacionadas à instituição.

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