Pesquisar
Close this search box.
TRANSPORTE COLETIVO

Empresa de ônibus cita atrasos da gestão Pinheiro e pede recuperação judicial com dívida de R$ 15,4 milhões

publicidade

A empresa Caribus Transportes e Serviços Ltda, responsável por 24,22% das linhas do transporte coletivo de Cuiabá, entrou com pedido de recuperação judicial na Primeira Vara Cível da Capital alegando uma dívida de R$ 15,4 milhões e dificuldades financeiras agravadas por atrasos nos repasses da Prefeitura durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro.

O pedido foi protocolado no último dia 11 e aponta que a crise se intensificou após a pandemia de Covid-19, quando, segundo a empresa, o município passou a atrasar e, em alguns períodos, deixar de repassar integralmente os subsídios previstos no contrato de concessão do transporte coletivo.

Na ação, a Caribus afirma possuir uma dívida total de R$ 15.481.691,90. A empresa informa ainda que opera com mais de 100 ônibus — entre veículos próprios, locados e financiados — e mantém cerca de 330 funcionários.

O grupo detalhou também possuir uma sede com área de 20 mil metros quadrados, equipada com estrutura de abastecimento, oficina, lavagem e manutenção da frota.

Segundo a petição, a empresa atua no sistema de transporte coletivo da Capital desde 2019, após firmar contrato de concessão com a Prefeitura de Cuiabá válido até 2039.

A Caribus sustenta que, mesmo diante da crise financeira, manteve a operação regular do transporte público utilizando recursos próprios, renegociando dívidas e contraindo financiamentos para evitar a paralisação do serviço.

A empresa afirma que o cenário se agravou principalmente entre 2022 e 2023, período em que os atrasos nos repasses municipais teriam comprometido o pagamento de obrigações trabalhistas, a compra de insumos essenciais e provocado risco de apreensão de veículos financiados.

Leia Também:  Greve na Santa Casa: sob clima de tensão, PM chega ao hospital

Na época, segundo o processo, a dívida da Prefeitura de Cuiabá com as quatro empresas que operam o sistema chegava a R$ 48.441.082,17.

Em fevereiro de 2025, 30 ônibus da Caribus chegaram a ser alvo de apreensão após pedido do Banco Volvo por inadimplência em contratos de financiamento. A decisão, no entanto, foi revertida posteriormente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Meses depois, em agosto, a empresa sofreu novo impacto financeiro após um incêndio atingir seis ônibus na garagem localizada no bairro São João Del Rey, em Cuiabá.

Ainda em agosto, a Caribus informou à agência reguladora do transporte coletivo que a Prefeitura devia R$ 14.721.656,09 em repasses. No mesmo período, a empresa foi autuada por manter veículos com idade acima do limite previsto no contrato de concessão e recebeu multa de R$ 741,2 mil.

Agronegócio também entrou na crise

O pedido de recuperação judicial também inclui empresas ligadas ao agronegócio do empresário Sérgio Iglesias Borges, proprietário da Caribus.

Segundo a petição, antes da crise no transporte coletivo, o empresário expandiu os investimentos para a Fazenda Capital, área arrendada em Nossa Senhora do Livramento, onde desenvolvia atividades de criação de gado e cavalos com foco em genética animal, biotecnologia reprodutiva e comercialização de embriões, prenhezes e animais.

O grupo afirma que a redução dos repasses municipais afetou diretamente o fluxo financeiro das atividades rurais, comprometendo a capacidade de capitalização e manutenção dos negócios.

A situação teria sido agravada por seca prolongada, irregularidade de chuvas, degradação de pastagens e aumento dos custos de suplementação alimentar, além da alta nos preços de insumos agropecuários e despesas ligadas à genética animal, parte delas atreladas à variação cambial.

Leia Também:  SC registra 4 casos de efeitos colaterais neurológicos após uso de canetas emagrecedoras, diz SES

A empresa também relata falhas em programas de inseminação, problemas de saúde em animais e dificuldades na revenda, incluindo distratos comerciais e renegociações decorrentes da desaceleração do mercado.

No pedido, a Caribus solicita proteção judicial para evitar novas apreensões de ônibus e outros bens do grupo. A empresa anexou fotos aos autos e alegou que sua sede “está sendo invadida por Oficiais de Justiça e policiais, para levar ônibus em guincho”.

Segundo a defesa, a retirada de veículos da frota poderia afetar diretamente o transporte coletivo de Cuiabá.

“Portanto, permitir a retirada de qualquer veículo da posse das Requerentes, seja de sua propriedade, mesmo que sem regularização documental, ou que estejam em sua posse através de contrato de locação, financiamento ou outro, implica em prejuízo para a população da cidade de Cuiabá, que terá a frota de transporte reduzida. Do mesmo ocorre com os semoventes e terras utilizados para a atividade rural, que, se retirados da posse dos Requerentes, implicará em inviabilização da atividade rural, que necessita dos animais para cria, revenda, inseminação, que é a atividade desenvolvida em sua forma mais pura, com consequências negativas em contratos futuros de entrega de animais”, diz trecho do pedido.

A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido de recuperação judicial.

Com informações do site FolhaMax.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade