O clima de confronto entre o Palácio do Planalto e a bancada federal de Mato Grosso atingiu um novo ápice nesta quinta-feira (8). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente o chamado PL da Dosimetria, que previa a redução de penas para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A escolha da data — exatamente três anos após as invasões em Brasília — foi interpretada por parlamentares mato-grossenses como uma afronta e um ato de “revanchismo político”.
Reação da Bancada: “Declaração de Guerra”
Deputados alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro utilizaram suas redes sociais para subir o tom contra a decisão presidencial. O projeto, aprovado pelo Congresso em dezembro, visava recalcular as sentenças aplicadas pelo STF, sob o argumento de que as penas atuais seriam desproporcionais.
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Coronel Fernanda (PL): A deputada classificou a decisão como um “absurdo” e afirmou que o veto ocorreu em um evento “sem respaldo popular”. Ela convocou os colegas de Parlamento a reagirem: “O Brasil não aceita retrocessos de um presidente descondenado”.
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Coronel Assis (União): Em vídeo, o parlamentar destacou o simbolismo da data escolhida para o veto. Para ele, a decisão de Lula no aniversário dos ataques é uma “declaração de guerra contra todos aqueles que ousarem discordar do regime”. Assis reforçou que a aprovação do projeto pelo Congresso representava a “vontade do povo”.
O Cenário de Votação em MT
A força do bolsonarismo em Mato Grosso refletiu-se na votação do projeto na Câmara. Dos oito deputados federais do estado, a adesão foi quase total:
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A favor do projeto: Abilio Brunini (PL), Amália Barros (PL), Coronel Fernanda (PL), Coronel Assis (União), Fábio Garcia (União) e José Medeiros (PL).
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Contra o projeto: Apenas Emanuelzinho (MDB), atual vice-líder do governo Lula na Câmara.
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Ausente: Juarez Costa (MDB).
O Caminho do Veto
Com o veto integral, a bola volta para o campo do Congresso Nacional. Para que o veto seja derrubado, é necessária a maioria absoluta de votos de deputados (257) e senadores (41). A bancada de MT promete liderar a articulação no Centro-Oeste para garantir que o texto original seja mantido, prolongando o embate jurídico-político sobre a responsabilidade e a punição dos envolvidos nos eventos de 2023.


























