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VEJA

Polícia Civil investiga suspeita de corrupção em contrato de R$ 300 milhões no Iges-DF

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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13), mais uma operação que expõe a longa e repetida crise de gestão no Iges-DF, órgão responsável por administrar parte da rede pública de saúde do DF.

A terceira fase da Operação Escudero aprofunda suspeitas de que o instituto foi palco de um esquema de corrupção bilionário, alimentado por empresários e agentes públicos que, segundo a investigação, atuaram para favorecer a empresa Salutar em um contrato milionário.

A operação incluiu buscas nas casas dos investigados e em um órgão público.

A suspeita central é que o grupo tenha direcionado um contrato superior a R$ 300 milhões para a Salutar, empresa encarregada da alimentação hospitalar em unidades administradas pelo Iges-DF.

Pacientes da rede pública teriam recebido alimentação em condições críticas, marcadas por:

  • falta de insumos básicos;

  • atrasos recorrentes nas entregas;

  • equipamentos insuficientes ou inadequados.

Ou seja, enquanto o contrato milionário corria solto, o serviço entregue, segundo a investigação, era miserável e indigno.

Histórico de irregularidades

A Operação Escudero começou em 2024 e já havia revelado suspeitas graves antes de chegar à atual fase.

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1ª fase (agosto/2024)

Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão.

A polícia encontrou R$ 100 mil em dinheiro vivo, apreendido em endereços ligados ao núcleo empresarial da Salutar e a servidores do Iges-DF.

2ª fase (novembro/2024)

A investigação avançou para dentro do sistema de controle da saúde pública.

A polícia fez buscas na casa de um ex-chefe de gabinete da 1ª Promotoria de Defesa da Saúde (PROSUS), suspeito de vender informações à empresa investigada.

Ele teria recebido ao menos R$ 200 mil para repassar dados sigilosos à Salutar.

3ª fase (novembro/2025)

A etapa mais recente investiga crimes como tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e dois mandados de sequestro de bens imóveis, mostrando que o suposto esquema não apenas operava com valores vultosos, mas também gerava patrimônio questionável para seus participantes.

Iges-DF tenta se afastar do escândalo

Em nota, o Iges-DF afirmou não ter tido acesso aos detalhes da operação, mas destacou que o contrato com a Salutar teria sido rompido no início do ano.

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Ainda assim, a instituição não forneceu explicações claras sobre como um acordo de mais de R$ 300 milhões pôde resultar em um serviço tão precário, nem esclareceu os mecanismos internos que permitiram que servidores e empresários, supostamente, agissem livremente por tanto tempo.

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