A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS colocará em votação um novo requerimento para ouvir pela segunda vez, o advogado Eli Cohen, personagem que se apresenta como o primeiro a denunciar o esquema de desvios de recursos de aposentados e pensionistas. A versão, no entanto, é tratada com desconfiança por integrantes da comissão, que identificaram contradições e vínculos políticos que colocam em xeque a credibilidade do depoente.
Durante seu primeiro depoimento, Cohen foi assessorado pelo marqueteiro Duda Lima, responsável pela campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. A ligação gerou desconforto entre os parlamentares, que enxergam possível ingerência política na condução de sua narrativa.
Laços com políticos e suspeita de lobby
Informações obtidas pela CPMI revelam que Eli Cohen mantém relações próximas com os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com o deputado Luís Lima (PL-RJ). O advogado teria, inclusive, frequentado gabinetes no Senado, apresentando-se como “íntimo” dessas lideranças.
Parlamentares afirmam que o cenário teria sido construído para conferir credibilidade a Cohen e para permitir que ele influenciasse os rumos das investigações da CPMI. De acordo com relatos de integrantes da comissão, o advogado teria cobrado R$ 5 milhões do Partido Liberal (PL) para direcionar as apurações contra aliados do governo federal e associar sindicatos e entidades ao Partido dos Trabalhadores (PT) — numa manobra descrita como “puramente política e financeira”.
Gravações e novas denúncias
As suspeitas contra Cohen cresceram após a CPMI receber informações sobre gravações feitas por interlocutores preocupados com uma possível tentativa de manipulação dos trabalhos da comissão.
Além disso, parlamentares da oposição afirmam que o advogado também teria solicitado R$ 7 milhões ao empresário Maurício Camisotti, atualmente preso, em troca de proteção e favorecimento político nas investigações.
Diante das novas denúncias, o depoimento desta sexta-feira é considerado decisivo pelos membros da CPMI. A expectativa é que a sessão esclareça o papel efetivo de Eli Cohen no escândalo e revele se houve interferência política na condução das apurações.


























