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PROTAGONISMO NA CBF

Filho de Gilmar Mendes ganha espaço no futebol e vira cartola em Mato Grosso

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O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Francisco Schertel Mendes, foi eleito no mês passado vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol (FMF). Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, ele passa a integrar oficialmente a estrutura dirigente do futebol estadual em uma eleição marcada por disputas políticas, influência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e articulações nos bastidores.

Francisco integrou uma chapa encabeçada pelo advogado Diogo Amorim Pécora, então assessor de gabinete na Assembleia Legislativa do Mato Grosso e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva local. O grupo surgiu inicialmente como uma terceira via na disputa pelo comando da FMF, que acabou influenciada por dirigentes ligados à cúpula do futebol nacional.

Entre eles está Luís Otávio Veríssimo, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), advogado com trânsito político em Brasília e que chegou ao cargo com apoio do grupo que controla a CBF. A atuação do STJD e o peso institucional da confederação contribuíram para o fortalecimento da chapa vencedora.

Com o novo cargo, Francisco Schertel Mendes passou a atuar de forma mais visível no meio esportivo. Deixou uma atuação discreta de bastidor e assumiu protagonismo em eventos e agendas do futebol, chamando a atenção de dirigentes de federações e clubes. No início do mês, liderou uma excursão internacional com cartolas por Inglaterra, Alemanha e Espanha, onde discursou em encontros com dirigentes estrangeiros.

Também concedeu entrevistas a sites especializados e, no Mato Grosso — Estado com pouca influência histórica no futebol nacional —, esteve por trás de anúncios como a implementação inédita do VAR no campeonato estadual e a assinatura de contrato para transmissão de todas as partidas da competição. Na CBF, iniciativas de modernização do futebol têm contado com indicações ligadas a ele.

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Apesar das raízes familiares e empresariais no Mato Grosso, Francisco vive e trabalha em Brasília. Nos documentos oficiais da inscrição da chapa, informou endereço na capital federal, distante mais de mil quilômetros de Cuiabá, sede da federação.

A presidência da FMF ficará a cargo de Diogo Pécora, de 35 anos, que até janeiro de 2025 era assessor parlamentar com salário de R$ 12 mil e acumulava a função de presidente do tribunal desportivo estadual. Procurados, Pécora, Francisco Mendes e Luís Otávio Veríssimo não concederam entrevista ao Estadão.

Em declaração a uma rádio local, Pécora afirmou estar “alinhado com a CBF” e disse que suas decisões serão tomadas de forma colegiada, com participação dos vice-presidentes. Sete dias antes da eleição, ele se reuniu em São Paulo com o presidente da CBF, Samir Xaud, e afirmou ter recebido apoio para seu projeto.

A estreia de Francisco Schertel Mendes como dirigente federativo, apoiado pelo grupo majoritário da CBF, aprofunda a aproximação entre a confederação e o IDP, iniciada em agosto de 2023. Naquele mês, foi firmado um contrato de dez anos para que o instituto passasse a gerir a CBF Academy, braço educacional da entidade responsável por cursos de formação no futebol.

O contrato foi assinado por Francisco Mendes e pelo então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Desde então, segundo relatos colhidos pela reportagem, o filho do ministro do STF ampliou sua influência nos bastidores da confederação. Em 2024, a CBF Academy arrecadou R$ 5,9 milhões; em 2023, a receita bruta foi de R$ 9,2 milhões. Pelo acordo, 84% ficam com o IDP e 16% com a CBF.

A atuação do STJD no Mato Grosso também teve papel relevante no processo eleitoral. Em julho, o tribunal realizou sessões itinerantes inéditas em Cuiabá, sob o argumento de aproximar a justiça desportiva das realidades regionais. O movimento foi visto como forma de conferir prestígio político a Diogo Pécora, então presidente do tribunal local.

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Embora representantes da CBF neguem envolvimento direto na eleição, a estrutura da confederação pesou a favor da chapa vencedora. Formalmente, a sessão itinerante foi solicitada por Luciano Hocsman, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, aliado de Samir Xaud e nomeado interventor na FMF após a judicialização da disputa, que afastou o antigo dirigente Aron Dresch.

Durante a intervenção, a CBF promoveu cursos gratuitos por meio da CBF Academy, levou dirigentes para formação no Rio de Janeiro e auxiliou na reforma da sede da federação. Interlocutores da confederação afirmam que as ações foram rotineiras e não tiveram objetivo eleitoral.

Até a intervenção, a disputa se concentrava entre os grupos ligados a Aron Dresch e a João Dorileo Leal, empresário e dirigente do Mixto. Pécora entrou na disputa no meio do processo e acabou eleito com apoio de setores interessados em barrar a ascensão de Dorileo. Cristiano Dresch, sobrinho de Aron e presidente do Cuiabá, atuou nos bastidores em favor da chapa vencedora.

Dorileo, por sua vez, criticou o uso da federação para beneficiar o Cuiabá e afirmou que a eleição foi influenciada pelo peso da CBF e do IDP. Cristiano Dresch afirmou que o convite a Francisco Mendes partiu dele, mas minimizou sua influência no resultado.

A ascensão de Francisco Schertel Mendes ocorre em paralelo ao papel central desempenhado por Gilmar Mendes em decisões que redefiniram o comando da CBF. O ministro foi responsável por despachos que mantiveram e depois afastaram Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade, além de ser associado, nos bastidores, ao acordo político que levou Samir Xaud ao comando da confederação. O entorno de Gilmar Mendes nega qualquer interferência.

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