Uma grave denúncia da ONG ambiental Greenpeace aponta que frigoríficos da JBS que exportam para a União Europeia foram abastecidos por gado criado ilegalmente na Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, localizada entre Canarana e Gaúcha do Norte, em Mato Grosso.
O pecuarista Mauro Fernando Schaedler é o centro da investigação, acusado de usar a prática de “lavagem de gado” para comercializar animais produzidos de forma irregular no território indígena.
O Esquema de ‘Lavagem’ e as Multas Milionárias
A investigação detalha que o pecuarista, que tem propriedades na Amazônia com multas ambientais que somam R$ 3,1 milhões, utilizou a seguinte manobra para burlar a fiscalização:
- A Fazenda Três Coqueiros II foi embargada pelo Ibama em 2023 por operar sem licença ambiental dentro da TI Pequizal do Naruvôtu.
- Entre 2018 e 2025, Schaedler teria transferido 1.238 cabeças de gado da Três Coqueiros II para a Fazenda Itapirana, uma propriedade considerada “limpa” legalmente.
- Essa “lavagem” permitiu que os animais chegassem a duas unidades frigoríficas da JBS localizadas em Barra do Garças e Água Boa (MT).
O Greenpeace destacou que o frigorífico de Barra do Garças, o único da cidade autorizado a exportar para a UE, recebeu pelo menos 216 bois da Fazenda Itapirana entre 2018 e 2021, com indícios de que essa carne pode ter sido comercializada para diversos países europeus (como Espanha, Alemanha e Itália).
Contestação Indígena e Resposta da JBS
O pecuarista Schaedler está envolvido em disputas judiciais que contestam a demarcação da Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, homologada pelo Governo Federal em 2016. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a validade da demarcação em 2025, fortalecendo a proteção ao território Naruvôtu.
Em nota, a JBS negou irregularidades, afirmando que uma auditoria interna concluiu que todas as compras seguiram os critérios da Política de Compra Responsável da companhia. A JBS, contudo, informou que bloqueou preventivamente a Fazenda Itapirana e solicitou esclarecimentos ao produtor.
O Greenpeace, por sua vez, exige a responsabilização das grandes corporações: “O lucro não está acima da vida”, concluiu a ONG.
Com informações G1





























