Uma pesquisa Atlas/Estadão aponta que 85,1% dos entrevistados acreditam que há envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master. O levantamento foi realizado em meio à divulgação de informações e mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a integrantes da Corte.
Segundo o levantamento, a percepção de envolvimento de ministros do Supremo alcançou 85,1% dos entrevistados. O resultado reflete a avaliação dos participantes da pesquisa e não constitui, por si só, comprovação de irregularidades ou de participação ilícita de integrantes do STF no caso.
A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos após a divulgação de informações extraídas do celular de Vorcaro. Entre os episódios analisados estão mensagens trocadas pelo empresário com autoridades e pessoas ligadas ao Judiciário, além de contratos mantidos pelo banco com escritórios de advocacia.
Um dos principais focos das investigações envolve o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Segundo informações divulgadas durante a apuração, o escritório da advogada manteve contrato com o Banco Master no valor de R$ 131 milhões. O conteúdo também provocou divergências dentro do próprio STF.
O ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, questionou documentos produzidos pela Polícia Federal e criticou o uso de relatórios de inteligência que, segundo ele, não teriam valor probatório. Mendonça também pediu o arquivamento de uma representação apresentada por Moraes contra sua atuação no caso.
Além de Moraes, outros ministros passaram a ser mencionados nos desdobramentos do caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que cinco ministros do STF teriam ligação “direta ou indiretamente” com o Banco Master, sem citar os nomes. O presidente também admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2024.
O levantamento Atlas/Estadão ocorre, portanto, em um momento de forte repercussão pública das investigações e de crescente debate sobre as relações entre o Banco Master, autoridades e integrantes do Judiciário.
A pesquisa mede a percepção dos entrevistados sobre o caso, mas a existência de uma percepção majoritária não equivale à confirmação de que ministros tenham cometido irregularidades. As responsabilidades individuais e eventuais ilícitos dependem das investigações e das decisões das autoridades competentes.






















