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MINERAÇÃO ILEGAL

Operação da PF que revelou a emissão de licenças ambientais fraudulentas a mineradoras deve dar munição a opositores do governador em 2026, diz especialista

Governador Romeu Zema Foto: Flávio Tavares / O Tempo

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A operação Rejeito, da Polícia Federal, que lançou luz, na última quarta-feira (17/9), sobre a atuação de servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) em um esquema de cobrança de propina para a emissão ilegal de licenças ambientais a mineradoras, pode respingar nas pretensões eleitorais do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que é pré-candidato à Presidência da República.

À frente do Executivo estadual desde 2019, Zema enfrenta agora o maior escândalo em seu governo, exatamente no momento em que busca nacionalizar seu nome para a corrida presidencial do ano que vem. Segundo especialistas, a operação dá munição a eventuais adversários em 2026.

O chefe do Executivo estadual oficializou a pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 16/8, durante evento em São Paulo, mas antes disso já havia intensificado as críticas à esquerda, com foco principalmente na gestão do presidente Lula.

Entretanto, agora, a operação da PF deflagrada nesta semana se tornou combustível para que parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) elevassem o tom contra o governador e a empreitada eleitoral dele.

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“O governador Zema está pactuando com um crime de sonegação de impostos e quer ser presidente do país. Não vai conseguir chegar lá”, disparou o deputado Lucas Lasmar (Rede), nessa quinta-feira (18/9), em audiência na ALMG. A declaração ocorreu quando o parlamentar comentava o fato de a investigação ter identificado projetos em andamento vinculados à organização criminosa com potencial econômico de cerca de R$ 18 bilhões.

Diante da forte repercussão nacional das investigações, Zema até tentou optar pelo silêncio, reduzindo a manifestação do governo a um posicionamento institucional conduzido pelo secretário de Comunicação, Bernardo Santos. A estratégia, porém, pegou mal.

Além de mais críticas dos parlamentares, a postura provocou reações negativas nas redes sociais. “Cadê você, Zema? O que tem a dizer sobre o escândalo na mineração?”, questionou um seguidor do governador no Instagram. “Fale sobre a corrupção do seu governo sobre o meio ambiente”, publicou outro. Zema acabou comentando o caso na tarde dessa quinta (18/9), ao ser provocado por jornalistas.

Impacto eleitoral

O cientista político Adriano Cerqueira, professor da Ufop, avalia que a demora de Zema em se manifestar pode ter sido pautada pela cautela, diante da necessidade de elucidar o grau de envolvimento dos servidores estaduais no esquema. O especialista destaca, entretanto, que a postura também foi pensada do ponto de vista eleitoral, “já que ele vai tentar se candidatar em uma chapa presidencial”, ressaltou.

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Professor do Departamento de Ciência Política da UFMG, Lucas Gelape também considera haver indícios de que a estratégia levou em consideração os possíveis danos políticos ao objetivo eleitoral do governador. Ele analisa, porém, que as implicações do escândalo em uma campanha de Zema para a Presidência em 2026 serão inevitáveis. “Obviamente esse assunto será trazido à tona durante a disputa eleitoral. Isso abre um flanco para que os adversários possam ‘bater’ nele”, afirmou.

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