A gestão da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), entrou no radar da Justiça após o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), autorizar a abertura de inquérito para apurar supostas irregularidades no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG).
A decisão atende a pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com base em investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que identificou indícios envolvendo autoridade com foro privilegiado. Entre os elementos reunidos está um pendrive com áudios e documentos digitais que, segundo os investigadores, apontam possíveis práticas ilícitas.
No despacho, Perri determina a instauração de inquérito no âmbito do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) para apurar eventual participação da prefeita. A ordem inclui diligências como perícia técnica nos arquivos apreendidos, análise e validação dos áudios, além da coleta de depoimentos e documentos administrativos ligados ao DAE.
De acordo com o Ministério Público, há registros sonoros atribuídos à prefeita que sugerem conhecimento prévio de irregularidades e até de investigações em curso, elemento que levanta suspeitas de prevaricação e possível acobertamento. Embora não haja acusação formal até o momento, o órgão avalia que o material é suficiente para aprofundar as apurações.
O caso teve origem em uma notícia-crime apresentada por Luiz Felipe Camargo de Pereira, contratado em 2025 para realizar auditoria no DAE. O relatório aponta inconsistências em sistemas internos, divergências de faturamento, falhas estruturais e volume considerado atípico de cortes e religações de água.
Segundo a denúncia, esses indícios podem revelar a existência de “religações fantasmas”, possivelmente associadas ao pagamento indevido de produtividade a servidores e potencial desvio de recursos públicos. As apurações internas teriam sido interrompidas após mudanças na gestão da autarquia, o que também passou a ser alvo de questionamento.
A investigação agora avança com a análise de dados técnicos, rastreamento de sistemas e oitiva de servidores e gestores citados.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que acompanha a abertura do inquérito com tranquilidade e destacou que a medida tem caráter exclusivamente investigativo, sem qualquer conclusão sobre culpa. A gestão de Flávia Moretti reiterou compromisso com a legalidade e disse que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, mantendo o funcionamento normal dos serviços públicos.



























