A Justiça Federal do Amazonas decidiu manter por mais 90 dias o afastamento dos ex-diretores da Amazonprev Claudinei Soares e André Luís Bentes de Souza, investigados na Operação Sine Consensu, que apura possíveis irregularidades em investimentos realizados com recursos da previdência estadual.
A decisão foi assinada nesta quarta-feira (17) pela juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny. A magistrada atendeu ao pedido da Polícia Federal, que apontou a necessidade de preservar as investigações enquanto diligências consideradas essenciais ainda estão em andamento.
Entre os pontos investigados está a aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master, instituição que atualmente está em liquidação extrajudicial. A PF também apura outras operações financeiras realizadas pela Amazonprev.
O afastamento não foi prorrogado para Cláudio Marins de Melo, ex-diretor de Administração e Finanças. Segundo informações apresentadas pela própria Amazonprev à Justiça, ele deixou o cargo em 3 de julho de 2024.
Por causa da exoneração, a juíza considerou, neste momento, sem objeto o pedido para manter Cláudio afastado. No entanto, a medida poderá ser novamente analisada caso a PF apresente elementos que justifiquem a necessidade da cautelar.
Investigação continua
De acordo com a Polícia Federal, ainda falta concluir a análise técnica de materiais apreendidos durante a operação. Os documentos e equipamentos estão sendo examinados pela Diretoria Técnico-Científica da corporação, em Brasília.
A investigação também busca reconstruir como foram tomadas as decisões relacionadas aos investimentos. A intenção é identificar quem autorizou, executou ou intermediou as operações e verificar se os procedimentos seguiram as normas administrativas e de governança.
A PF argumentou que o retorno dos investigados às funções poderia facilitar o acesso a documentos, sistemas e servidores ligados ao caso, com possível risco à coleta de provas.
R$ 390 milhões sob suspeita
A investigação aponta que a Amazonprev aplicou aproximadamente R$ 390 milhões em letras financeiras de instituições privadas em operações que, segundo a PF, teriam descumprido normas de governança e regras federais para investimentos de recursos previdenciários.
Outro ponto apurado envolve R$ 620,1 mil recebidos pelos três ex-diretores de uma empresa localizada em Niterói (RJ), também investigada. Os pagamentos teriam ocorrido entre junho e dezembro de 2024, período em que foram realizadas as operações financeiras questionadas.
Para a Polícia Federal, existem indícios de que os valores possam ter relação com os investimentos considerados irregulares.
Na decisão que autorizou as buscas contra os investigados, a Justiça apontou que as movimentações financeiras entre a empresa e os ex-gestores foram consideradas atípicas e sem justificativa aparente, além de apresentarem, segundo a magistrada, indícios de possível crime de corrupção.
O novo afastamento de Claudinei Soares e André Luís Bentes de Souza começa a contar após o encerramento do período anterior e terá duração de 90 dias.























