A Polícia Federal identificou o pagamento de R$ 33 milhões do Banco Master ao escritório de advocacia Alves Correa, ligado à advogada Dalide Correa, que já ocupou cargo de direção no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta de documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) analisados pela PF.
O caso ganhou atenção porque, segundo diálogos interceptados pela Polícia Federal entre executivos do Banco Master, o escritório era apresentado internamente como um “canal direto com o STF”. Nas conversas, os pagamentos destinados à banca de Dalide eram relacionados à suposta capacidade de interlocução com a Corte. Os investigadores, porém, não encontraram nas conversas menções a nomes específicos de ministros do Supremo.
O valor aparece entre as maiores despesas jurídicas do Banco Master em 2024. De acordo com o relatório do BRB, o banco gastou R$ 215 milhões com advogados no ano fiscal de 2024, contra R$ 76 milhões no ano anterior.
Do montante, R$ 40 milhões foram destinados ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Na sequência, aparecem os R$ 33 milhões pagos ao escritório de Dalide Correa. O relatório apontou que as despesas jurídicas do banco haviam mais que triplicado em relação ao ano anterior.
A relação profissional entre Dalide Correa e Gilmar Mendes remonta ao período em que o atual ministro do STF ocupava o cargo de advogado-geral da União, entre 2000 e 2002. Na época, Dalide trabalhava no setor jurídico da Caixa Econômica Federal. Posteriormente, ela ocupou cargo de chefia no IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes, deixando a função em 2017.
Apesar dos registros identificados na auditoria, Dalide Correa negou ter prestado serviços ao Banco Master. Em nota, afirmou que seu escritório nunca atuou para a instituição no STF e que não procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados ao banco.
Segundo a advogada, os trabalhos mencionados estavam relacionados a processos judiciais originalmente conduzidos para empresas que venderam créditos ao Banco Master e que posteriormente foram sucedidas pelo banco. Ela afirma que essa atuação ocorreu exclusivamente em primeira e segunda instâncias.
A assessoria de Gilmar Mendes não se manifestou sobre o caso.























