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Representantes do PT, PV, PDT, PC do B e Rede foram à Câmara Legislativa cobrar o afastamento de Ibaneis Rocha. Ao Correio, o governador classificou a mobilização como um ato eleitoral e disse estar tranquilo. "Barulho da oposição", destacou

Representantes do PT, PV, PDT, PC do B e Rede estiveram presentes na CLDF para protocolar o pedido - (crédito: Mila Ferreira)

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Um novo pedido de impeachment do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi protocolado, nessa quarta-feira (4/2), na presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O pedido foi assinado por representantes do PT, PV, PC do B, Rede e PDT. Este é o terceiro pedido de impeachment formalizado neste ano por partidos da oposição na Casa. Ibaneis classificou a mobilização das legendas como ‘barulho da oposição’.

O texto do pedido protocolado traz cópia de notícias que foram divulgadas relacionando Ibaneis Rocha com a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. “Seja recebida a presente denúncia por crime de responsabilidade em face do governador do DF. (…) Há indícios suficientes de violação grave aos deveres constitucionais do governador”, disse trecho do documento.

Ibaneis classificou a mobilização como “barulho da oposição”. “Nenhum dos pedidos de impeachment tem fundamento que não seja político, o que não tem nada de ilegítimo. Eu estou muito tranquilo com a minha consciência de que só tentei fazer o melhor”, destacou o governador em entrevista ao Correio. “Estamos em ano eleitoral”, ressaltou, ao avaliar a ação dos adversários políticos.

O cientista político Leandro Gabiati, professor do Ibmec Brasília, avalia que o caso Banco Master produz efeitos relevantes no tabuleiro eleitoral de 2026. “O primeiro impacto é claramente sobre o Executivo. O governador tem uma eleição muito bem encaminhada, com chances reais de disputar o Senado e fazer uma sucessora, mas o caso Master gera desgaste direto na figura dele”, avaliou. Segundo Gabiati, a estratégia tem sido blindar possíveis herdeiros políticos. “A sucessora permanece distante do caso, enquanto o desgaste fica concentrado no governador”, disse.

De acordo com o especialista, esse cenário lança incertezas sobre a própria decisão do governador em disputar as eleições de 2026. “Hoje ninguém sabe se ele será candidato ou não. Isso vai depender muito de como o caso Master vai evoluir nos próximos meses”, afirmou. Gabiati destacou que o prazo de desincompatibilização impõe uma escolha estratégica. “Ele tem tempo para decidir se permanece no governo para tentar equacionar o problema ou se entende que a disputa ao Senado é viável e opta por sair do cargo”, comentou.

O governador sustenta, entretanto, que sairá candidato ao Senado e se desincompatibilizará em abril, conforme determina a lei eleitoral.

A sessão ordinária no plenário foi aberta com o quórum mínimo, apenas oito distritais. Dos presentes, apenas o deputado Joaquim Roriz Neto (PL) e Pepa (PP) são da base do governo. O Correio tentou contato com os parlamentares da base do governo, mas nenhum quis se pronunciar.

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Plenário da Câmara Legislativa do DF durante sessão ordinária. Debates políticos sobre o Distrito Federal.
A sessão ordinária na Câmara Legislativa foi aberta com a presença de apenas dois governistas(foto: Carlos Gandra/Agência CLDF)

Mobilização

Estiveram no ato de entrega do protocolo o presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa; o presidente do PC do B-DF, João Vicente Goulart; a senadora Leila Barros (PDT); o deputado federal Reginaldo Veras (PV); a deputada federal Érika Kokay (PT), a porta-voz da Rede, Bruna Paola e os deputados distritais do PT, Gabriel Magno, Chico Vigilante e Ricardo Valle.

“Foi um pedido escrito a cinco mãos por estes cinco partidos que foram os mesmos que estiveram no STJ há duas semanas”, afirmou Guilherme Sigmaringa, referindo-se ao pedido das legendas para que o governador fosse investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que resultou na instalação de um procedimento para apurar a participação do governador Ibaneis Rocha (MDB) nas tratativas envolvendo o BRB e o Banco Master.

A senadora Leila Barros esteve presente e falou em nome do PDT. “Nós temos o dever de estar aqui defendendo o nosso patrimônio. O BRB corre o risco de ser liquidado e ser federalizado, que é um tema que estamos tratando no Congresso Nacional”, disse. “Se não pedíssemos o impeachment, estaríamos sendo omissos diante das inúmeras provas que estão sendo apresentadas”, acrescentou Reginaldo Veras.

Impactos nas urnas

Cientista político, doutor em direito constitucional, Valdir Pucci afirma que o caso do Banco Master pode produzir efeitos relevantes nas eleições de 2026 no DF. Pucci ressalta que o impacto político pode ser mais imediato no processo eleitoral. “Mesmo sem condenação, o simples envolvimento do nome de um candidato em um escândalo financeiro pode manchar sua imagem perante o eleitorado e dificultar sua viabilidade eleitoral em 2026”, afirmou.

Ao analisar os reflexos entre os poderes, Pucci avalia que o Executivo tende a sofrer maior impacto eleitoral do que o Legislativo. “Por envolver instituições diretamente ligadas à administração pública, como o BRB, o escândalo do Banco Master acaba atingindo mais fortemente esse poder”, disse. Segundo ele, “a identificação da sociedade com o Executivo é mais direta, o que pode gerar prejuízos eleitorais maiores para quem pretende disputar cargos majoritários”.

No caso do Legislativo, o jurista aponta que o efeito tende a ser mais diluído, o que reduz o impacto eleitoral coletivo. “A imagem do Poder Legislativo é fragmentada entre vários parlamentares, e isso dificulta que o eleitor associe o escândalo de forma geral à Câmara Legislativa”, explicou. Ele pondera que “se houver envolvimento direto ou denúncia nominal contra algum parlamentar, isso pode comprometer de forma significativa uma tentativa de reeleição em 2026”.

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Pucci destacou que investigações ou menções ao escândalo não geram, por si só, impedimento eleitoral, mas podem pesar politicamente. “A pessoa pode ser investigada, responder a inquérito ou até ser condenada em primeira instância e mesmo assim concorrer. A inelegibilidade só surge após condenação por órgão colegiado”, afirmou.

Investigação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instaurou um procedimento para apurar a participação do governador Ibaneis Rocha (MDB) nas tratativas envolvendo o BRB e o Master. A medida atende pedido protocolado, na semana passada, pelos mesmos partidos que assinaram o pedido de impeachment de ontem. (Leia mais sobre o assunto na editoria de política).

Se houver instauração de inquérito, o STJ deverá acompanhar as medidas, pois é o foro competente para processar e julgar governadores. “(As representações da oposição) serão remetidas à Procuradoria e, como não tenho nenhum envolvimento, devem ser arquivadas”, afirmou Ibaneis ao Correio.

Representantes dos mesmos partidos vão se reunir hoje com o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Georges Seigneur para entregar uma representação pedindo que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investigue o envolvimento do governador Ibaneis no esquema de compra do Master pelo BRB.

“Esperamos que o MPDFT investigue e a CLDF se sensibilize e instale a CPI do banco Master. Ibaneis precisa ser investigado em todas as instâncias”, clamou o deputado Chico Vigilante. “Os deputados da base precisam assinar o pedido de instalação da CPI. Precisamos de 13 deputados que tenham a coragem de assinar. Se os parlamentares da base dizem que foram enganados e por isso votaram pela aprovação da compra do Master, eles devem apoiar a CPI. Dessa forma, as coisas ficarão esclarecidas”, acrescentou.

O deputado Gabriel Magno defende ainda que o governador seja afastado para que as investigações corram sem interferências. “Se ele usou de influência política para colocar Brasília e o BRB na lama, ele não pode continuar governando, pois corre o risco dele continuar usando a influência para atrapalhar as investigações”, ressaltou.

Até o momento, o pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Master na CLDF conta com sete assinaturas. Para que o pedido seja protocolado, são necessárias oito assinaturas, mas para passar à frente dos outros pedidos de CPI pendentes, são necessárias 13.

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