O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como um “equívoco” a defesa do impeachment de ministros da Corte feita por candidatos de direita que disputam uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (19), em Brasília, após o magistrado participar da abertura da 5ª edição do Fórum Saúde, promovido pela farmacêutica EMS em parceria com o think tank Esfera Brasil.
Segundo Gilmar, embora a pauta possa ter apelo eleitoral entre determinados setores do eleitorado, transformar a promessa em uma ação concreta seria mais difícil diante do funcionamento das instituições.
“Eu acho que, primeiro, é um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral”, afirmou.
O ministro destacou ainda a diferença entre defender uma determinada medida durante uma campanha eleitoral e conseguir efetivamente colocá-la em prática depois de eleito.
“Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme. Certamente, se alguém com essa bandeira se tornar senador, ele terá imensas dificuldades de implementá-la”, declarou.
Na avaliação do decano do STF, um senador eleito com a promessa de promover o impeachment de ministros da Corte poderá encontrar resistência dentro do próprio sistema político.
“Por quê? Porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido”, disse.
A declaração ocorre em meio ao aumento da pressão de setores da direita pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo, uma das principais pautas defendidas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um dos principais defensores da proposta e vem afirmando que pretende buscar uma maioria no Senado para viabilizar processos contra integrantes do STF a partir de 2027.
Questionado sobre a possibilidade de ministros da Corte sofrerem impeachment caso Flávio seja eleito presidente da República, Gilmar Mendes evitou fazer projeções.
“Não avalio, não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento”, respondeu.
O Senado Federal possui competência constitucional para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade.
Para que um processo dessa natureza seja aberto, é necessária uma articulação dentro da própria Casa Alta. O grupo político de Flávio Bolsonaro trabalha para ampliar sua bancada e conquistar uma maioria favorável à pauta nas eleições de 2026.
A disputa pelo Senado, portanto, ganhou peso estratégico entre os grupos de direita que defendem mudanças na composição e na atuação do Supremo.
A manifestação de Gilmar Mendes ocorre justamente em um momento de forte tensão política entre setores do Congresso e ministros da Corte, com o impeachment de magistrados do STF se consolidando como uma das bandeiras de parte dos candidatos ao Senado.
























