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VIDA PRÓPRIA

DETRAN-DF: o edital que tem pernas e atravessou a rua

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Em Brasília, alguns editais parecem ter vida própria. Saem de um órgão, atravessam a rodoviária local e reaparecem em outra estrutura administrativa sem que o mercado compreenda exatamente a razão do percurso.

Jabuti não sobe em árvore, alguém o deixa lá.

É o caso do Pregão nº 90013/2026, lançado pelo Detran-DF para manutenção e modernização do sistema semafórico e avanço do Distrito Federal. Avaliado em R$ 290 milhões, o certame já vinha sendo alvo de questionamentos de empresas especializadas por supostas restrições à competitividade. Agora, um novo ingrediente passou a alimentar as conversas de bastidor e a apuração exclusiva do Portal Fatos Online.

O mesmo edital que nasceu dentro do Detran-DF, e orientado por interesses de alguma empresa, também apareceu vinculado à Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal, sob a batuta do secretário Valter Casimiro Silveira. A movimentação despertou estranheza entre concorrentes e operadores do setor, que afirmam não ser comum encontrar um projeto dessa natureza transitando simultaneamente por estruturas administrativas completamente distintas.

Nos bastidores do setor, as atenções também estavam voltadas para duas empresas do Espírito Santo que passaram a ser apontadas por concorrentes como potenciais favoritas no certame. Tratam-se da SINALES Sinalização Espírito Santo Ltda., CNPJ 36.377.091/0001-26, cujos sócios são Luiz Fernando Martinelli e Ana Rosa Sossai Martinelli, e da ATMAN Tecnologia Ltda. (Atman Systems), CNPJ 30.957.863/0001-12, controlada por Stefano Fernando Sossai Martinelli e Fernando Luiz Sossai Martinelli.

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A presença das duas empresas nas conversas de bastidor decorre da percepção de concorrentes de que o edital continha características que poderiam favorecer grupos já consolidados no segmento de sinalização inteligente, fiscalização eletrônica e gestão semafórica. Não há documento público que comprove direcionamento ou tratamento privilegiado. Ainda assim, os nomes das duas empresas passaram a circular com frequência entre participantes do mercado à medida que aumentavam os questionamentos sobre o certame.

Nos corredores das empresas interessadas, a interpretação é quase unânime. A presença do projeto em outra pasta passou a ser vista como uma tentativa de preservar a continuidade da contratação diante das controvérsias que já cercavam o processo original. Não há documento público que confirme essa hipótese. Mas ela ganhou força justamente porque surgiu antes do cancelamento do edital.

O mercado também relaciona o episódio à reportagem exclusiva do Portal Fatos Online, que colocou o certame sob escrutínio público. A partir daí, multiplicaram-se pedidos de esclarecimento, análises jurídicas e discussões sobre possíveis impugnações. O resultado foi um ambiente de desconfiança que se espalhou muito além dos limites do Detran.

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Ainda assim, a simples circulação do mesmo projeto entre diferentes estruturas do Governo do Distrito Federal tornou-se mais um elemento de um quebra-cabeça que o mercado tenta montar.

Às vezes, o que mais chama atenção não é o valor do contrato. É o rocambolesco caminho percorrido por ele.

A avaliação, aos olhos do Ministério Público do DF, é que a história está longe de ser um simples acidente burocrático. O mercado não acredita em acasos dessa dimensão. Muito menos quando envolvem centenas de milhões de reais e um processo que já despertava desconfiança antes mesmo de sair do papel.

E o caminho desse edital, ao que tudo indica, ainda está longe do ponto final.

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