A campanha presidencial de 2026 chega à votação deste domingo (4) com uma redução dos grandes confrontos televisionados entre os principais candidatos. O debate que seria realizado pela TV Globo foi cancelado na noite de quinta-feira (1º), depois de decisões judiciais alterarem as regras do encontro e da desistência de Flávio Bolsonaro (PL). O presidente Lula (PT) já havia informado que não participaria.
Com o cancelamento, os dois candidatos não participaram de nenhum debate televisivo no primeiro turno. Segundo levantamento da Folha, trata-se da primeira vez desde 2006 que um dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas não participa de nenhum confronto desse tipo antes da primeira votação.
Decisões mudaram o cenário
O encontro da Globo sofreu alterações sucessivas nos últimos dias. Uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia determinado a inclusão de Romeu Zema (Novo) entre os convidados. Já na quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou a participação de Renan Santos (Missão).
No mesmo dia, a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não exibisse o púlpito destinado a Lula caso o presidente não comparecesse e também impediu perguntas dirigidas diretamente ao candidato ausente. A regra havia sido prevista no regulamento acertado previamente entre a emissora e as campanhas.
Flávio Bolsonaro anunciou então que não participaria do debate. O candidato atribuiu sua decisão ao que chamou de “censura” do TSE. Pouco depois, a Globo comunicou o cancelamento do programa, alegando que as decisões judiciais haviam alterado regras previamente estabelecidas e provocado insegurança jurídica.
Campanha além da televisão
A ausência dos dois principais nomes do confronto também evidencia a importância crescente de outros formatos de comunicação eleitoral. Durante o horário em que ocorreria o debate, Lula participou de uma entrevista ao podcast Flow, enquanto Flávio realizou uma transmissão própria pelas redes sociais após anunciar sua desistência.
Redes sociais, podcasts, transmissões ao vivo e vídeos curtos passaram a ocupar espaço relevante na estratégia dos candidatos, permitindo que as campanhas definam o formato, o ambiente e, em muitos casos, os temas das próprias aparições.
Com o cancelamento do debate da Globo, os eleitores chegam ao primeiro turno sem o confronto que estava previsto como o último grande encontro televisivo entre os presidenciáveis. O episódio também colocou no centro da campanha de 2026 a disputa sobre as regras dos debates, a participação dos candidatos e os limites da atuação judicial sobre esses eventos.























