A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (17), a Operação Eredità, que mira uma organização criminosa transnacional formada a partir da conexão entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e membros da máfia italiana. O grupo é investigado pelo envio de pelo menos 4,6 toneladas de cocaína da América do Sul para países europeus.
Ao todo, os agentes cumprem sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. A Justiça também determinou medidas para atingir o patrimônio dos investigados, incluindo o sequestro de imóveis e o bloqueio de bens, valores em contas bancárias e investimentos de pessoas físicas e empresas.
A operação contou com informações obtidas por meio de uma Equipe Conjunta de Investigação (ECI) criada entre Brasil e Itália. A cooperação reuniu a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, no Brasil, e o Departamento Anticrime de Turim, ligado ao Raggruppamento Operativo Speciale (ROS) dos Carabinieri, além do Ministério Público de Turim.
Advogado é um dos alvos
Entre os investigados está o advogado Patrick Raasch Cardoso. De acordo com decisão do juiz Alessandro Rafael Bertollo de Alexandre, da 14ª Vara Federal de Curitiba, ele teria utilizado a atuação profissional para transmitir ordens entre pessoas presas, integrantes que estavam fora do sistema prisional e lideranças do PCC.
Na decisão, o magistrado classificou os fatos investigados como de elevada gravidade. A defesa do advogado ainda não havia se manifestado até a publicação das informações.
Investigação começou em outras operações
Segundo a Polícia Federal, a apuração avançou a partir de informações reunidas nas operações Retis e Spiderweb, que identificaram pessoas responsáveis por fornecer suporte logístico para o transporte internacional de cocaína.
O trabalho também é resultado de desdobramentos das operações Samba e Mafiusi, realizadas de forma conjunta no Brasil e na Itália em dezembro de 2024.
Durante as investigações, os policiais relacionaram a organização criminosa a pelo menos 11 apreensões de cocaína realizadas entre 2019 e 2020. Somadas, as cargas ultrapassaram 4,6 toneladas e tinham diferentes países europeus como destino.
Além da logística para o envio das drogas, os investigadores identificaram uma estrutura financeira que seria utilizada para movimentar, esconder e disfarçar recursos obtidos com o tráfico internacional.
Os envolvidos poderão responder, conforme a participação de cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que eventualmente sejam identificados no decorrer da investigação.



























