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INVESTIGAÇÃO NO MASTER

PF intima Galípolo, Campos Neto e dono do BTG para depor sobre Banco Master

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A Polícia Federal determinou a intimação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves, para prestarem depoimento no inquérito que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

As informações foram divulgadas na edição desta quinta-feira (10). Os três serão ouvidos na condição de testemunhas e, portanto, terão a obrigação de prestar informações verdadeiras sobre os fatos investigados.

A PF também determinou um novo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

As intimações foram determinadas em 3 de agosto, dentro da investigação que apura suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria cooptado dois servidores do Banco Central: Belline Santana e Paulo Sérgio Souza. Ambos negam favorecimento indevido ou envolvimento em irregularidades.

A defesa de Roberto Campos Neto afirmou que o ex-presidente do BC ainda não havia sido intimado até o fechamento da edição e criticou o vazamento da informação.

Em nota, os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti afirmaram que não tinham conhecimento de qualquer despacho determinando o depoimento.

“A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor”, disseram.

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O BTG Pactual informou que não comentaria o caso. O Banco Central não respondeu aos contatos.

Segundo pessoas que acompanham a investigação, os depoimentos ainda não foram realizados porque havia outros interrogatórios previstos dentro do mesmo inquérito.

O próprio Daniel Vorcaro prestou depoimento à PF em 28 de agosto.

De acordo com a investigação, a decisão de ouvir Galípolo, Campos Neto, Esteves e Ailton de Aquino ocorreu depois que o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza citou os nomes em seu depoimento.

Em seu depoimento, Paulo Sérgio Souza negou ter recebido propina de Vorcaro para repassar informações sigilosas ao empresário.

O ex-diretor também afirmou que Galípolo teria resistido a encaminhar ao Ministério Público Federal uma comunicação sobre suspeitas relacionadas à venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo Paulo Sérgio, ele comunicou a Ailton de Aquino a necessidade de encaminhar o caso ao MPF e afirmou que a comunicação já estaria pronta.

O ex-diretor relatou ainda duas reuniões com Galípolo para tratar da situação do Banco Master.

Segundo seu relato, na primeira conversa, ocorrida no fim de fevereiro ou início de março de 2024, Galípolo teria pedido um “voto de confiança” para uma solução envolvendo o BRB.

Na segunda reunião, no fim de junho, Paulo Sérgio afirmou que Galípolo teria dito que não faria uma comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, porque havia recebido internamente a informação de que existiria fraude na carteira.

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Paulo Sérgio também mencionou outro episódio envolvendo Galípolo. Segundo ele, quando Galípolo passava pela sabatina no Senado para assumir a presidência do Banco Central, recebeu de Ailton de Aquino a orientação para “jogar parado”.

O termo teria sido utilizado, conforme o depoimento, como orientação para evitar movimentações ou manifestações durante aquele período.

O depoimento de Paulo Sérgio também trouxe informações sobre uma reunião envolvendo o BTG Pactual e Roberto Campos Neto.

Segundo o ex-diretor, em novembro de 2024, Ailton de Aquino teria informado que o BTG havia concluído uma due diligence no Banco Master e identificado uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.

Paulo Sérgio relatou à PF que a comunicação teria sido feita verbalmente, por telefone, em 29 de novembro.

Ainda segundo o depoimento, Aquino teria pedido que ele fosse a São Paulo para uma apresentação do BTG, realizada em 3 de dezembro de 2024.

De acordo com o relato, Roberto Campos Neto teria participado da reunião, mas o BTG não teria apresentado documentação sobre a suposta fraude naquele encontro.

A PF agora pretende ouvir os personagens citados no depoimento para confrontar as versões apresentadas e esclarecer as circunstâncias envolvendo a fiscalização do Banco Master e as relações entre os envolvidos.

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