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Cursos sem procura na Unemat reacendem debate sobre uso de recursos públicos em MT

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A publicação de um edital complementar da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), autorizando o ingresso de estudantes por meio de matrícula direta, reacendeu o debate sobre a distribuição de cursos superiores no interior e o uso de recursos públicos estaduais. A modalidade permite que candidatos ingressem na universidade sem vestibular e sem prova, bastando apenas comparecer presencialmente ao câmpus e apresentar a documentação exigida.

O edital, assinado pela reitora Vera Lúcia da Rocha Maquêa, prevê o preenchimento de 638 vagas remanescentes — aquelas que não foram ocupadas após os processos regulares de seleção — e atinge cursos ofertados em 13 cidades do interior do estado.

Ingresso sem prova: basta ir até o campus

Conforme o documento, o candidato interessado deve comparecer à Supervisão de Apoio Acadêmico (SAA) do câmpus onde deseja estudar, dentro do prazo estabelecido, e efetuar a matrícula. O procedimento não exige nota, classificação ou disputa por pontuação, funcionando como uma ocupação imediata das vagas disponíveis.

A medida tem como objetivo evitar que vagas fiquem ociosas e garantir o funcionamento de turmas em cursos que não conseguiram preencher o número de estudantes previsto inicialmente.

Baixa demanda no interior e críticas ao planejamento

A abertura de vagas sem seleção tradicional evidencia um problema recorrente em algumas regiões: a baixa procura por determinados cursos, mesmo em instituições públicas. Especialistas apontam que fatores como dificuldades financeiras, falta de políticas de permanência estudantil, distância entre municípios, custo de moradia e transporte e baixa atratividade de algumas graduações contribuem para o esvaziamento de turmas.

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Para lideranças estudantis, o modelo reforça a necessidade de repensar a política de interiorização do ensino superior em Mato Grosso. A crítica central é que a Unemat mantém cursos em cidades onde há baixa demanda, enquanto regiões mais populosas seguem sem estrutura universitária definitiva, mesmo com considerável aumento no orçamento crescente na instituição, a partir de 2013.

Rondonópolis cobra campus definitivo

O tema ganhou força em meio às discussões envolvendo a Frente Parlamentar Pró-Campus Unemat-Rondonópolis e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), que analisam a possibilidade de instalação de um campus definitivo no município.

Segundo estudantes e representantes do movimento pró-campus, a cidade tem histórico de oferta temporária de cursos e já sofreu redução de opções acadêmicas: “Fecharam cinco cursos na cidade. As pessoas estão procurando e a instituição não sinaliza qualquer planejamento. Essa luta já tem 25 anos e, de lá para cá, o orçamento da instituição aumentou muito, mas a região não foi beneficiada”, afirmou o estudante João Vinícius.

TCE e a crítica sobre manutenção de cursos sem demanda

Durante visita técnica, o conselheiro do TCE-MT Alisson Alencar, relator das contas da Unemat, destacou que o processo precisa seguir critérios de gestão e planejamento.

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“É fundamental que esse processo seja construído com planejamento, transparência e diálogo institucional, assegurando que a estrutura atenda às necessidades acadêmicas e esteja alinhada à boa gestão dos recursos públicos”, declarou.

Nos grupos de mensagens ligados ao movimento estudantil em defesa do campus de Rondonópolis, participantes também apontam que o orçamento da Unemat cresceu consideravelmente desde 2013, mas, segundo eles, o crescimento não foi acompanhado por expansão proporcional nas regiões mais populosas do estado.

A participante do movimento, Hilda Alencar, cobra posicionamento de parlamentares e autoridades políticas.

“O silêncio e a demora em resolver essa situação não podem continuar por parte dos nossos representantes. Quem trabalha fica; quem quer somente ganhar dinheiro, rua”, afirmou.

Cidades com vagas abertas

As vagas remanescentes estão distribuídas em 13 cursos de graduação ofertados nos municípios de Alto Araguaia, Alta Floresta, Barra do Bugres, Diamantino, Cáceres, Sinop, Tangará da Serra, Nova Xavantina e Pontes e Lacerda.

As inscrições e matrículas devem seguir os critérios e datas definidos no edital, sendo obrigatória a apresentação da documentação exigida para efetivação do ingresso.

Mais informações estão disponíveis no portal oficial do candidato: https://portaldocandidato.com/unemat-vestibular-2026/

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