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CARTEL BILIONÁRIO

Empreiteiras sob suspeita de cartel seguem faturando milhões do Governo de MT

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Mesmo investigadas pelo Cade por integrar um suposto cartel bilionário de obras rodoviárias, empreiteiras continuam executando contratos e recebendo valores expressivos do Governo de Mato Grosso, sem qualquer restrição aparente.

Empresas apontadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como integrantes de um suposto cartel nacional de obras públicas seguem operando normalmente em Mato Grosso e acumulando contratos milionários com o Governo do Estado. A LCM Construção e Comércio S.A., a MTSUL Construções Ltda. e a Ética Construtora Ltda. permanecem à frente de obras estratégicas da malha rodoviária estadual, mesmo sendo alvo de investigações que apontam manipulação de licitações, combinação de preços e repasse irregular de contratos.

Levantamento mostra que somadas, as três empresas já receberam mais de R$ 450 milhões dos cofres públicos estaduais, em contratos firmados principalmente com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Procurada, a pasta afirmou não ter conhecimento das investigações conduzidas pelo Cade e declarou não ter sido oficialmente comunicada pelos órgãos federais de controle  uma resposta que levanta questionamentos sobre a integração institucional e os mecanismos de prevenção à contratação de empresas sob suspeita.

LCM: apontada como líder do esquema

Com sede em Minas Gerais, a LCM Construção aparece no centro das investigações. Segundo apurações do Cade e da Controladoria-Geral da União (CGU), a empresa teria atuado como articuladora de um cartel que fraudou licitações federais do DNIT, movimentando cerca de R$ 10 bilhões entre 2021 e 2024.

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De acordo com os investigadores, a LCM definia previamente os vencedores das concorrências e utilizava Sociedades em Conta de Participação (SCPs) para repassar até 99% da execução das obras a outras empresas  prática considerada ilegal. Ainda assim, a empreiteira segue acumulando contratos em Mato Grosso. Desde 2021, os pagamentos à empresa ultrapassam R$ 192 milhões, incluindo um contrato recente de R$ 38,7 milhões para recuperação de rodovias entre Campo Verde, Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia.

O proprietário da empresa, Luiz Otávio Fontes Junqueira, também é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e pagamento de propina em licitações no Amapá.

MTSUL e Ética: contratos em série, silêncio institucional

A MTSUL Construções Ltda., sediada em Cuiabá, recebeu mais de R$ 450 milhões do Governo de Mato Grosso desde 2019, atuando em diversas frentes: pavimentação de rodovias estaduais, restauração de trechos críticos e obras no Centro Político Administrativo. Mesmo figurando na lista de empresas investigadas pelo Cade, a construtora segue sendo contratada, inclusive para obras simbólicas, como intervenções no Parque Novo Mato Grosso.

Já a Ética Construtora Ltda., de Goiás, soma mais de R$ 200 milhões em pagamentos desde 2020. Apenas em 2025, já recebeu mais de R$ 36 milhões, com contratos ativos em diferentes regiões do Estado. A empresa também é citada nas investigações como participante do esquema de manipulação de concorrências públicas.

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As tentativas de contato com as empresas revelam outro padrão preocupante: telefones indisponíveis, ausência de respostas e silêncio diante de acusações graves. A assessoria jurídica da MTSUL prometeu manifestação, mas não retornou até o fechamento desta reportagem.

Dinheiro público, risco público

Embora ainda em fase administrativa, as investigações do Cade podem resultar em multas de até 20% do faturamento bruto das empresas e sanções bilionárias a executivos. Ainda assim, nenhuma medida preventiva foi adotada pelo Governo de Mato Grosso, que segue liberando pagamentos e renovando contratos.

O cenário escancara fragilidades nos critérios de controle, transparência e gestão de riscos da administração pública estadual. Em um setor historicamente marcado por corrupção, a permanência de empresas investigadas em contratos milionários reforça a sensação de impunidade e coloca em xeque o compromisso do poder público com a moralidade administrativa.

Enquanto os processos se arrastam, o asfalto continua sendo pago e caro — pelo contribuinte mato-grossense.

O espaço segue aberto para manifestação das empresas citadas e dos órgãos públicos envolvidos.

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