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Caso Renato Nery

Justiça mantém prisão de suspeitos envolvidos no assassinato do advogado Renato Nery

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O juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu manter a prisão preventiva de quatro pessoas envolvidas no assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024. Os réus — Julinere Bentos, Cesar Sechi, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira — são acusados de participar da execução do crime, que teve como motivação uma disputa por terras no interior de Mato Grosso. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (26) durante audiência de custódia.

Julinere Bentos e Cesar Sechi, produtores rurais, são apontados como os mandantes do assassinato, enquanto os policiais militares Jackson Barbosa e Ícaro Ferreira são acusados de atuar como intermediários. A acusação alega que o assassinato de Renato Nery foi motivado por uma longa disputa judicial envolvendo terras em Novo São Joaquim, que foram avaliadas em aproximadamente R$ 30 milhões. Nery havia vencido a disputa judicial, o que teria provocado a ira dos acusados.

Durante a fase de investigação, o juiz João Bosco destacou indícios de que Julinere e Cesar contrataram a execução do advogado. No caso de Julinere, um dos pontos levantados foi uma possível confissão informal, na qual ela teria admitido seu envolvimento no crime, embora tenha negado a declaração em juízo. A defesa de Julinere havia pedido a conversão de sua prisão para domiciliar, alegando que sua filha sofre de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e transtorno de ansiedade generalizada. Contudo, o pedido foi negado, com o juiz ressaltando a gravidade das acusações e a necessidade de proteção à coletividade.

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Cesar Sechi também teve seu pedido de liberdade provisória negado, sendo classificado como mentor intelectual e financiador do homicídio. A defesa de Sechi argumentou que a instrução já estava encerrada e que outros réus haviam sido libertados, mas o juiz reforçou o risco que ele representa, dada sua função no crime.

Os policiais militares Jackson Barbosa e Ícaro Ferreira, que também estão presos, são acusados de facilitar a execução do homicídio. Jackson, que solicitou transferência para uma unidade militar devido a um suposto risco de suicídio, teve o pedido negado. A decisão judicial incluiu ainda uma acusação paralela, em que Jackson é suspeito de ter participado de uma entrega de R$ 10 mil em nome do presidente do Tribunal de Justiça, José Zuquim Nogueira, caso que também está sendo investigado.

As audiências de instrução do caso estão agendadas para os dias 10, 11 e 17 de dezembro, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. O Ministério Público sustenta que o assassinato de Renato Nery envolveu uma rede de execução que contou com diversos participantes, incluindo o pagamento de R$ 200 mil por Cesar Sechi a Jackson Barbosa para facilitar o homicídio. O crime foi orquestrado por um grupo que incluiu Heron Teixeira, que liderou a execução, e Alex Queiroz, responsável pelos disparos. Ambos já foram pronunciados e aguardam julgamento no Tribunal do Júri.

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