Pré-candidato ao Governo, o senador Wellington Fagundes (PL) adotou um discurso cauteloso e de soberania nacional ao comentar a decisão dos Estados Unidos, sob Donald Trump, de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A fala vai na contramão de setores da direita bolsonarista, que tratam a medida como solução imediata para o enfrentamento às facções criminosas. Wellington, no entanto, apontou que a decisão pode trazer consequências graves ao Brasil, inclusive risco de interferência estrangeira no território nacional.
“Nós temos e poderemos ter consequências, inclusive de invasão no país, perdendo a sua autonomia. Quando é um país terrorista, isso pode acontecer”, afirmou o senador à imprensa na sexta-feira (5).
A posição deve desagradar nomes alinhados ao bolsonarismo, como o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), integrantes da família Bolsonaro e o deputado federal José Medeiros (PL), que costumam defender medidas mais duras no combate ao crime organizado.
Apesar de ser aliado político da direita, Wellington evitou embarcar no discurso automático e defendeu que o tema seja debatido com responsabilidade pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Comissão de Relações Exteriores do Senado.
“Eu acho que isso tem que ser muito bem discutido com o Ministério das Relações Exteriores. Acredito que a Comissão de Relações precisa discutir isso, inclusive, com a sociedade. Porque as consequências podem existir”, disse.
O senador também afirmou que a classificação das facções como organizações terroristas não resolve, por si só, o problema da segurança pública no Brasil.
“Quem tem que ter a solução da segurança do Estado é o Estado”, completou.
A declaração coloca Wellington em uma posição delicada dentro do próprio campo político. Ao mesmo tempo em que integra o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador adotou uma linha mais institucional e menos ideológica sobre o tema.
Na prática, Wellington reconhece a gravidade da atuação do PCC e do Comando Vermelho, mas alerta que entregar a condução do problema a uma potência estrangeira pode abrir uma crise ainda maior: a perda de autonomia do Brasil sobre sua própria política de segurança.




























