247 – A relação entre o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o empresário Samuca Franco, investigado pela Polícia Federal, entrou no centro das atenções da Operação Overclean. A coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, revelou a utilização de um imóvel de luxo por Reis, embora o apartamento esteja oficialmente registrado em nome de Franco — acusado de atuar como operador de um esquema que teria desviado mais de R$ 1,4 bilhão de contratos públicos ligados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
Segundo documentos obtidos pela reportagem e depoimentos de moradores, corretores e prestadores de serviço, o prefeito esteve diretamente envolvido na escolha, reforma e personalização de um dos apartamentos do condomínio Bay View, na Península de Maraú (BA). O imóvel, avaliado à época da compra em R$ 900 mil e atualmente estimado em R$ 1,5 milhão, teria sido reformado por orientação direta de Bruno Reis, embora conste no registro como propriedade de Samuca Franco.
O Bay View é um empreendimento exclusivo em Barra Grande, voltado para a Baía de Camamu, conhecido pela infraestrutura sofisticada e alta valorização imobiliária. De acordo com os relatos, o prefeito acompanhou a execução de obras de decoração, instalação de sistemas de climatização e outras reformas, solicitando pessoalmente os serviços, apesar da ausência de vínculo formal com a propriedade.
Além do uso do imóvel, há conexões societárias entre Bruno Reis e Franco. Desde maio de 2022, ambos são sócios na empresa SPE Vento Sul Empreendimentos Imobiliários Ltda. A participação do prefeito, de 10% das cotas, foi adquirida por meio da empresa BB Patrimonial, que pertence à sua família, em uma negociação direta com Franco, detentor dos 90% restantes.
Em declarações públicas registradas em vídeo, Bruno Reis reconheceu a proximidade com o empresário, chamando-o de “irmão que a vida deu” e revelando manter contato frequente com ele por telefone. O ex-prefeito de Salvador e padrinho político de Bruno, ACM Neto (União Brasil), também é proprietário de imóvel no mesmo condomínio Bay View.
As revelações ocorrem em meio ao avanço da Operação Overclean, que identificou o repasse de mais de R$ 500 mil a Samuca Franco entre abril de 2022 e março de 2024 por empresas suspeitas de atuarem como fachada — entre elas a BRA Teles Ltda. e a FAP Participações Ltda. A investigação, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), já levou ao afastamento de figuras próximas ao prefeito, como Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador.
O deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA), outro aliado do grupo político de Bruno Reis e ACM Neto, também teve o nome citado nas investigações. Com foro privilegiado, o caso envolvendo o parlamentar foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques e está sob sigilo.
Procurada pelo Metrópoles, a Polícia Federal informou que não comenta casos sob investigação. Já a defesa de Bruno Reis não respondeu aos questionamentos.





























