Um jatinho relacionado ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), investigado pela Polícia Federal no caso conhecido como “Farra do INSS”, foi colocado em leilão com valor de avaliação de R$ 8 milhões. O avião está entre os bens apreendidos durante as investigações da Operação Sem Desconto.
O leilão prevê lances com diferença mínima de R$ 1 mil e comissão de 5% ao leiloeiro. O pagamento deverá ser feito à vista, no prazo de até 24 horas após o encerramento.
A aeronave, um Beech Aircraft 400A fabricado em 2006 e com capacidade para oito passageiros, teve o sequestro determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro deste ano.
Registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o avião estava registrado em nome da BRA Construtora Ltda. O Registro Aeronáutico Brasileiro mostra ainda que a aeronave havia sido negociada por R$ 11,1 milhões em outubro de 2025, antes de a transferência de propriedade ser formalizada pela Anac, em fevereiro de 2026.
A PF, porém, sustenta que o proprietário de fato seria Euclydes Pettersen. Conforme depoimento obtido pelos investigadores, o parlamentar teria vistoriado pessoalmente o jato em novembro de 2025 e novamente em fevereiro deste ano.
Ainda segundo a investigação, a BRA Construtora desembolsou aproximadamente R$ 387 mil com pintura e reformas na aeronave. Os investigadores também apontam que o prefixo PS-EPN teria relação com as iniciais do nome completo do deputado.
Investigação
No relatório final da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal indiciou Pettersen por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A corporação aponta o parlamentar como um dos principais articuladores políticos de um esquema envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
De acordo com a PF, o deputado teria recebido pelo menos R$ 14,7 milhões em propinas, por meio de transferências fracionadas. Os investigadores afirmam que parte dos valores teria sido ocultada em investimentos e na aquisição ou ocultação de aeronaves.
A PF estima que o esquema ligado à Conafer tenha causado prejuízo superior a R$ 708 milhões a aposentados e pensionistas.
Apesar da avaliação de R$ 8 milhões, o edital informa que o comprador ficará responsável pela regularização da aeronave. O jato atualmente não possui certificados de Registro de Aeronave e de Aeronavegabilidade válidos, e sua retirada depende de autorização judicial.


























