A rotina política de Michelle Bolsonaro mudou de endereço, mas não perdeu intensidade. Com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília, a ex-primeira-dama passou a participar de reuniões, encontros partidários e articulações do PL Mulher por videochamadas, transmissões ao vivo e vídeos gravados.
Na semana passada, ela apareceu em um telão durante um evento do PL Mulher em Palmas, no Tocantins. “Nós não queremos competir com os homens. Nós queremos caminhar ao lado”, afirmou Michelle, diante de lideranças femininas reunidas no encontro.
Aliados relatam que Michelle tem evitado longas ausências de casa desde que o ex-presidente passou a exigir acompanhamento constante após a alta hospitalar, no fim de março. Ainda assim, interlocutores dizem que ela nunca esteve tão ativa dentro do partido, agora com foco na montagem de chapas femininas e na ampliação do peso político do PL Mulher.
O plano, segundo pessoas próximas, é eleger ao menos 20 parlamentares mulheres. Michelle atua em estados como Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Paraná e Amazonas, onde passou a apoiar nomes para a Câmara e a costurar candidaturas com lideranças locais. “A Michelle é uma pessoa que luta pela causa com amor, por isso ela vence as limitações”, afirmou o deputado Bibo Nunes (PL-RS).
A movimentação também mexeu nas disputas majoritárias e abriu uma divisão silenciosa com o entorno de Flávio Bolsonaro. No Ceará, Michelle resiste a qualquer aproximação com Ciro Gomes e prioriza a vereadora Priscila Costa, enquanto aliados de Flávio defendem outro caminho para a composição estadual.
No Distrito Federal, a ex-primeira-dama se alinhou à vice-governadora Celina Leão e atua para fortalecer Bia Kicis ao Senado. Também incentiva a candidatura de Eduardo Torres, seu irmão de criação, a deputado distrital. Já aliados de Flávio seguem defendendo Izalci Lucas para o governo local.
As divergências se repetem em outros estados. Em Santa Catarina, Michelle ajudou a consolidar Carol de Toni como prioridade para o Senado, enquanto Flávio entregou a segunda vaga a Carlos Bolsonaro. Em São Paulo, ela defendia Rosana Valle para o Senado, mas o senador optou por apoiar André do Prado.
Nos bastidores, o distanciamento entre Michelle e Flávio já é tratado como um problema real dentro do bolsonarismo. Aliados afirmam que ela avisou Jair Bolsonaro que não pretende assumir papel ativo na pré-campanha presidencial do enteado. Questionada recentemente sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, a ex-primeira-dama evitou defendê-lo: “Você precisa perguntar para ele”, apontou O GLOBO.
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