O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) reagiu com ironia às acusações feitas por ex-executivos da Aegea, empresa do setor de saneamento básico, que o apontam como beneficiário de supostos pagamentos ilícitos durante o período em que administrou a Prefeitura de Sinop. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (16), o parlamentar negou as acusações, questionou a lógica dos relatos apresentados nas delações premiadas e cobrou a divulgação de provas.
A principal referência feita por Juarez foi à acusação de que teria recebido cerca de R$ 30 milhões em propina e, além disso, uma BMW, supostamente para favorecer interesses da concessionária na cidade. O deputado afirmou considerar a versão contraditória.
“Quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? Dá para comprar quantas?”, declarou. Em seguida, acrescentou que já teve diversos veículos da marca ao longo da vida. “Eu tive oito. Será que é uma dessas oito? Não era nem quando eu era prefeito”, afirmou.
Segundo Juarez, esta não é a primeira vez que precisa responder às mesmas acusações. O parlamentar alegou que o tema costuma reaparecer em períodos eleitorais e afirmou que o caso já foi abordado em diferentes campanhas das quais participou nos últimos anos.
“Pela quinta vez, eu vou falar do mesmo assunto e sempre em véspera de eleição”, disse.
O deputado também afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo da investigação, que tramita sob sigilo, e que tomou conhecimento da nova repercussão do caso apenas após desembarcar em Cuiabá.
“Se tem vídeo, vamos mostrar o vídeo. Se existe alguma coisa, vamos mostrar. Eu estou discutindo e estou respondendo à imprensa sem ter conhecimento do processo. Está em sigilo. Fiquei sabendo disso ontem”, declarou.
Ao comentar novamente a acusação envolvendo a BMW, Juarez voltou a questionar a coerência dos relatos apresentados pelos delatores.
“R$ 30 milhões dava para comprar dois sistemas de água e esgoto em Sinop. Eu vou pedir R$ 30 milhões e mais uma BMW?”, ironizou.
O parlamentar afirmou que sua defesa busca acesso aos autos para conhecer os detalhes da investigação e disse que não pretende comentar aspectos específicos do processo enquanto não tiver acesso à íntegra dos documentos.
“Eu desconheço totalmente o processo. Então, sobre o processo, eu não posso falar porque eu não conheço. Estamos tentando agora continuar a ter acesso”, afirmou.
Juarez também lançou um desafio aos acusadores para que apresentem evidências concretas das supostas entregas de valores ou benefícios.
“Se existe vídeo, eu nunca, jamais recebi. Eu desafio para aparecer um vídeo me entregando qualquer coisa”, declarou.
Durante a entrevista, o deputado aproveitou para defender o processo que resultou na concessão dos serviços de água e esgoto em Sinop. Segundo ele, todas as etapas foram conduzidas de forma transparente, com participação popular e aprovação do Legislativo municipal.
“Nós fizemos totalmente transparente. Nós fizemos com três audiências públicas. Nós fizemos chamamento público para que todos comparecessem e participassem das audiências públicas”, afirmou.
Juarez argumentou ainda que a concessão trouxe avanços para o município, ampliando a cobertura dos serviços de saneamento.
As acusações vieram à tona após reportagem do portal Metrópoles revelar trechos de acordos de colaboração premiada firmados por ex-executivos da Aegea. Segundo os relatos, o então prefeito de Sinop teria recebido aproximadamente R$ 30 milhões para favorecer interesses da empresa durante a implantação da concessão no município.
Entre os delatores está o ex-presidente da companhia, Hamilton Amadeo, que afirmou ao Ministério Público Federal ter autorizado pagamentos destinados ao então gestor municipal. O executivo também relatou que, em 2014, teria autorizado a compra de uma BMW supostamente solicitada por Juarez Costa.
Já o ex-diretor financeiro da empresa, Flávio Crivellari, declarou que o veículo teria custado cerca de R$ 330 mil e sido entregue por meio de um intermediário ligado à concessionária. Outros ex-executivos também relataram supostos repasses em dinheiro para despesas eleitorais e entregas realizadas por operadores.
As acusações integram investigações que tramitam sob sigilo e, até o momento, não há condenação relacionada aos fatos narrados nas delações. A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade.


























