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Coluna do Mino

Eleições DF: o recuo de quem já mais, foi à frente

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Na política, desistências costumam revelar mais do que candidaturas. O recuo de Rafael Prudente na corrida ao Palácio do Buriti talvez seja o fato mais eloquente da pré-campanha até aqui. Não porque surpreenda, mas porque expõe uma realidade que muitos insistiam em ignorar: faltava ao deputado o principal combustível de uma candidatura competitiva, uma estrutura política sólida e um padrinho em condições de entregá-la.

Essa estrutura atendia pelo nome de Ibaneis Rocha. Durante anos, o ex-governador comandou a distribuição de espaços, cargos, acomodou interesses e deu as cartas no grupo político que chegou ao poder. O problema é que o centro do poder mudou de endereço. Hoje, a caneta e cadeira mais importante do Distrito Federal pertence a Celina Leão, que não demonstra disposição para exercer o cargo com submissão e sob orientação de Ibaneis Rocha.

O cálculo de Prudente, porém, não teria sido apenas eleitoral. Nos bastidores, muita gente avalia que uma candidatura ao Buriti significaria entrar em rota de colisão com Celina Leão e com a estrutura política instalada no governo. Na balança, pesaram também interesses construídos ao longo dos últimos anos. Entre eles, as relações políticas e econômicas que cercam contratos ligados ao grupo familiar e outros espaços de influência cultivados durante o ciclo político de Ibaneis. O custo da aventura poderia ser maior do que o benefício da candidatura.

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O rompimento entre Ibaneis e Celina deixou os bastidores e ganhou as ruas. Ibaneis imaginava conservar influência suficiente para conduzir a sucessão de 2026. Celina resolveu conduzi-la por conta própria. A divergência virou confronto político.

No meio do caminho, ruiu também o projeto que muitos enxergavam em torno do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O desgaste provocado pelo caso Master/BRB alterou completamente o cenário e transformou Celina na candidata natural do grupo governista. O plano original perdeu força e Rafael Prudente acabou ficando como a alternativa possível. Agora, nem isso.

O recuo do deputado tem peso simbólico. Mostra que até aliados próximos demonstram dúvidas sobre o rumo do MDB na disputa pelo Buriti. Enquanto isso, Celina ocupa o cargo, administra a máquina e segue como a única candidatura efetivamente consolidada no horizonte eleitoral.

A disputa pelo Senado, por sua vez, virou um congestionamento de ambições. Michelle Bolsonaro aparece como nome forte. Na fila estão Leila Barros, Bia Kicis, Erika Kokay, Reguffe e o próprio Ibaneis. O problema é simples: há mais candidatos do que vagas.

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Nesse cenário, Izalci Lucas decidiu lançar sua pré-candidatura ao governo. O movimento provocou desconforto em setores que apostam no alinhamento do PL com Celina. Se essa for a decisão final da direção nacional do partido, Izalci corre o risco de disputar uma corrida sem combustível suficiente para chegar ao destino, ficando apenas a opção de disputa a uma cadeira na Câmara Distrital, ainda assim disputa acirrada.

Brasília entrou na fase em que todos fazem contas. Alguns contam votos. Outros contam aliados. Os veteranos sabem que a segunda conta costuma ser a mais importante. Rafael Prudente fez a dele e concluiu que o caminho para o Buriti ficou curto para Celina e longo demais para quase todo o resto.

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