O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, afirmou nesta quinta-feira (6) que não participou do acordo firmado entre o Governo do Estado e a operadora Oi S.A., alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Em nota, Carvalho declarou que estava afastado da administração estadual durante a tramitação do processo de autocomposição e, por isso, não teve qualquer participação na negociação ou influência sobre a celebração do acordo.
Segundo o secretário, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período em que o processo foi conduzido, ele não exercia nenhum cargo público.
“Nem eu e nem meus familiares participamos do acordo mencionado na investigação policial. (…) Eu não ocupava nenhum cargo público, inclusive no Governo do Estado, de modo que não poderia influenciar absolutamente em nada a decisão de firmar ou não o acordo com a OI”, afirmou em trecho da nota.
Carvalho também rebateu a suspeita de que recursos oriundos do acordo tenham sido destinados às empresas das quais é sócio do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).
De acordo com o secretário, todos os investimentos realizados nas empresas tiveram origem em recursos próprios do grupo empresarial da família Carvalho, sem qualquer relação com o acordo firmado entre o Estado e a operadora de telefonia.
“Nenhum recurso originário do acordo firmado com a empresa OI foi utilizado em benefício próprio ou da minha família. Todo valor aportado pela minha família nas empresas que temos sociedade com Mauro Mendes decorre de recursos do meu próprio grupo empresarial”, declarou.
O secretário afirmou ainda confiar que o andamento das investigações esclarecerá os fatos e comprovará que ele e seus familiares não participaram nem obtiveram qualquer benefício decorrente da operação investigada.
Operação Heritage
A manifestação foi divulgada após a deflagração da Operação Heritage, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação da Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinadas medidas cautelares, como bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, recolhimento de passaportes e outras restrições.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. para restituição de valores relacionados a uma disputa tributária. Os investigadores suspeitam que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões por meio de fundos de investimento e empresas interpostas, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos públicos.
As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.

























