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INVESTIGAÇÃO

Ex-presidente dos Correios é interrogado pela PF em investigação sobre eleição sindical

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O ex-presidente dos Correios Fabiano Silva dos Santos prestou depoimento à Polícia Federal em uma investigação que apura uma suposta interferência da estatal na eleição de 2024 para o comando do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

O depoimento ocorreu em 9 de julho, após o procurador da República Athayde Ribeiro Costa determinar o avanço da apuração. Em despacho, o integrante do Ministério Público Federal apontou a existência de “indícios mínimos” que, na avaliação dele, podem estar relacionados a corrupção, prevaricação e falsidade ideológica.

O caso teve origem em uma denúncia apresentada por George Alex Lima de Souza, candidato derrotado na eleição sindical. Ele questionou um procedimento adotado pelos Correios para o recebimento de cartas utilizadas na votação.

A controvérsia envolve correspondências enviadas de outras cidades que chegaram a Brasília sem o carimbo de origem. Na Agência Central dos Correios, essas cartas receberam uma nova marcação de recebimento, procedimento que não estava previsto originalmente no serviço contratado pelo sindicato.

Documentos apresentados em uma ação judicial indicaram que a medida havia sido solicitada diretamente pelo então presidente do Sindifisco, Isac Falcão, a Fabiano. O pedido foi encaminhado em 25 de setembro de 2024 e recebeu, no mesmo dia, aval da diretoria de Operações dos Correios.

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A Comissão Eleitoral do sindicato identificou 117 correspondências nessa condição e decidiu invalidá-las. A decisão, porém, não encerrou a disputa, que posteriormente foi levada a diferentes órgãos e instâncias judiciais.

Segundo o Sindifisco, acusações semelhantes já foram analisadas pela Polícia Civil, Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho, Justiça comum, Justiça Federal e Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), sem que houvesse reconhecimento de fraude capaz de anular a eleição. A entidade afirma ainda que uma investigação da Polícia Civil chegou a ser arquivada.

Mesmo diante desse histórico, o MPF decidiu aprofundar a apuração criminal. Athayde determinou novas diligências e solicitou a reunião de documentos de investigações anteriores, além da análise de processos judiciais e da tomada de depoimentos de pessoas envolvidas no episódio.

Além de Fabiano, a PF deverá ouvir o diretor de Operações dos Correios Paulo Cesar Penha da Silva Júnior, a chefe de Atendimento Isabela Silva Caldeira e o ex-presidente do Sindifisco Isac Falcão. A defesa de Fabiano nega irregularidades e afirma que o procedimento adotado durante a greve dos Correios buscava evitar prejuízos aos votos enviados pelos filiados. O Sindifisco também rejeita a tese de fraude e classifica a nova investigação como mais uma tentativa de reabrir uma acusação já rejeitada em outras instâncias.

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