Pesquisar
Close this search box.
VEJA

“Pizza na Câmara de Cuiabá? Processo contra Chico 2000 segue em sigilo e Maysa cobra ação”

publicidade

Enquanto a população cuiabana acompanha com desconfiança os desdobramentos da Operação Capistrum, que afastou os vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB) sob suspeita de envolvimento em esquema de propina, o clima nos bastidores da Câmara de Cuiabá é de espera — e, para muitos, de impunidade. A vereadora Maysa Leão (Republicanos), 2ª secretária da Mesa Diretora, cobrou publicamente mais celeridade no processo, mas admitiu que a Casa Legislativa ainda não recebeu oficialmente os documentos necessários para instaurar uma Comissão Processante (CP).

Segundo a parlamentar, sem acesso ao processo físico e concluso da Polícia Civil, que corre em sigilo, qualquer movimentação para cassar os vereadores corre o risco de ser considerada ilegal. “A Câmara não é Judiciário, mas a Câmara pode e deve agir, já cassou vereadores antes de processo judicial concreto, mas a gente precisa ter materialidade. Não somos justiceiras”, afirmou Maysa em entrevista à rádio Capital FM.

A declaração gerou reações ambíguas. Se por um lado, ela aponta para uma postura de cautela institucional, por outro, o argumento de que a Câmara “espera os papéis” soa como justificativa para empurrar o caso com a barriga — ou, como dizem nas ruas de Cuiabá, “para acabar em pizza”.

Leia Também:  Poste pega fogo e incêndio atinge casa na Capital; sem feridos

“Não somos justiceiras”, mas a pressão cresce

A pressão popular é grande. A opinião pública cobra uma resposta concreta da Câmara diante das graves acusações envolvendo supostos pagamentos de propina no valor de R$ 600 mil para favorecer interesses de empresas ligadas ao transporte público da capital. Os indícios, revelados por investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam para crimes como corrupção ativa e passiva, além de possível organização criminosa.

“Não podemos pegar algo sem materialidade, abrir e cassar uma pessoa com base num print de WhatsApp”, reforçou Maysa. A vereadora explica que, enquanto jornalistas podem divulgar informações obtidas de forma extraoficial, a Câmara está legalmente limitada. “Se eu peço a um jornalista amigo para me enviar o processo e abro uma CP com esse material, posso estar cometendo um ilícito. A Casa só pode agir com documento oficial”, detalhou.

Pedido negado

A Câmara de Cuiabá, segundo Maysa, já solicitou o inquérito à Polícia Civil, mas teve o pedido negado por conta do sigilo do processo. “Se a delegacia enviar pra gente antes, podemos abrir a processante antes. Mas quando se trata de Justiça e de polícia, só nos cabe obedecer”, declarou.

Leia Também:  Polícia Civil empossa 36 novos servidores nos cargos de delegado, escrivão e investigador

Enquanto isso, tanto Chico 2000 quanto Sargento Joelson seguem afastados por decisão judicial, mas ainda com os mandatos intactos e recebendo seus salários. O clima nos corredores da Câmara é de tensão e incerteza, mas a morosidade reforça a imagem de que, em Cuiabá, escândalo político ainda é sinônimo de impunidade.

Conclusão

A fala de Maysa Leão revela o dilema entre legalidade e vontade política. A Câmara de Cuiabá pode agir, como ela própria disse, mas ainda aguarda o aval formal da Justiça. A pergunta que ecoa entre os cuiabanos é: até quando? Enquanto o processo segue trancado em sigilo, a sensação é de que mais uma vez a justiça pode esbarrar na burocracia e cair no esquecimento — ou, pior, na velha receita da pizza.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade