O desembargador Evandro Stábile, afastado compulsoriamente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), recebeu quase R$ 1 milhão em pagamentos durante o ano de 2025. Dados do Portal da Transparência compilados pelo RepórterMT mostram que, mesmo afastado por envolvimento em corrupção passiva e venda de decisões judiciais, o magistrado teve rendimentos brutos que totalizaram R$ 959.577,92.
Mesmo fora das funções, Stábile manteve uma remuneração elevada. Em julho, por exemplo, ele recebeu R$ 131.154,66, somando salários e benefícios complementares.
O ano de 2026 também começou com pagamentos significativos. Em janeiro, o desembargador recebeu R$ 43.007,38 brutos, líquidos de R$ 29.610,82. Em fevereiro, os valores foram semelhantes: R$ 43.071,78 brutos e R$ 29.675,22 líquidos. Somente nos dois primeiros meses deste ano, Stábile já havia recebido R$ 59.286,04 líquidos.
O magistrado foi um dos principais alvos da Operação Asafe, conduzida pela Polícia Federal, que investigou um esquema de comercialização de sentenças em Mato Grosso. Além das acusações de corrupção, ele possui condenação por ameaça contra sua ex-companheira, em um caso de violência doméstica registrado em Cuiabá.
A manutenção dos pagamentos gerou polêmica no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino defende que, após a Reforma da Previdência de 2019, a chamada “aposentadoria compulsória punitiva” perdeu validade, e que infrações graves deveriam resultar na perda definitiva do cargo e do salário.


























