Um novo exame de sangue desenvolvido para identificar o câncer de pâncreas em fases iniciais apresentou resultados promissores em um estudo internacional publicado na revista científica Nature Medicine. Batizado de Panxeon, o teste conseguiu detectar tumores nos estágios 1 e 2 em 87% dos casos analisados.
A pesquisa foi conduzida por cientistas liderados pelo City of Hope, instituição norte-americana especializada em pesquisas sobre câncer. A proposta é encontrar a doença em um momento em que as possibilidades de tratamento são maiores e, em alguns casos, ainda existe potencial de cura.
O câncer de pâncreas está entre os tumores de maior letalidade. Segundo os dados apresentados no estudo, somente 14% dos pacientes sobrevivem cinco anos após o diagnóstico, enquanto aproximadamente 90% dos casos são identificados quando a doença já está em estágio avançado.
Como funciona
O Panxeon utiliza uma amostra de sangue para analisar três sinais relacionados ao câncer de pâncreas: microRNAs circulantes, microRNAs presentes em exossomos e a proteína CA19-9.
As informações são processadas por um sistema de inteligência artificial, que reúne os resultados dos três biomarcadores em uma única pontuação capaz de estimar o risco de câncer.
O estudo envolveu quase 1,8 mil pacientes nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Além da identificação de 87% dos tumores em estágios iniciais, o exame apresentou índice de falso-positivo de 3% entre pessoas consideradas de baixo risco e de 16% nos grupos de maior risco.
Pode identificar lesões pré-cancerosas
Outra descoberta considerada relevante foi a capacidade do exame de detectar displasia de alto grau, alteração que pode anteceder o desenvolvimento do câncer invasivo. O Panxeon identificou essa condição em mais de 64% dos casos avaliados.
A tecnologia pode ajudar médicos a definir quais pacientes com cistos pancreáticos precisam de acompanhamento mais próximo ou de intervenção antes que a doença avance.
Os pesquisadores, no entanto, não apontam o exame como substituto para exames de imagem ou outros métodos diagnósticos. A expectativa é que ele funcione como uma ferramenta adicional para identificar pessoas que precisam passar por uma investigação mais detalhada.
Quem pode se beneficiar
Entre os grupos que podem ter maior utilidade com uma ferramenta desse tipo estão pessoas com histórico familiar de câncer de pâncreas, alterações genéticas hereditárias, cistos pancreáticos ou pancreatite crônica.
Atualmente, esses pacientes costumam ser acompanhados por exames de imagem e outros procedimentos, que podem ter limitações para identificar tumores muito pequenos.
Para os pesquisadores, reunir diferentes biomarcadores em um único exame pode aumentar a capacidade de encontrar sinais da doença antes que os sintomas apareçam.
O Panxeon ainda é um teste experimental e os resultados do estudo não significam que ele já esteja disponível como exame de rotina. Novas avaliações são necessárias para determinar seu desempenho e eventual utilização na prática clínica.

























