A disputa digital entre Lula e Flávio Bolsonaro ganhou força no segundo turno da eleição presidencial, com a circulação de conteúdos falsos ou considerados enganosos ligados aos dois grupos políticos. Publicações em canais de apoiadores, aliados e pessoas próximas às campanhas passaram a ser alvo de decisões da Justiça Eleitoral, ampliando a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Diante do avanço dos casos, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, convocou representantes dos dois lados para uma reunião nesta terça-feira (13), com o objetivo de discutir a disseminação de desinformação durante a campanha.
No campo ligado a Lula, decisões judiciais determinaram a retirada de publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro propostas para acabar com aposentadorias, benefícios sociais, Farmácia Popular e dias de descanso dos trabalhadores. Segundo as informações divulgadas, essas medidas não constam no programa do candidato. Conteúdos publicados por Janja, mulher do presidente, também foram atingidos por ordens de remoção.
Outro caso envolve o canal “Exército do Lula”, coordenado por André Janones e com cerca de 3,7 milhões de integrantes. O espaço chegou a ser alvo de uma determinação de suspensão atribuída a Nunes Marques, posteriormente revertida pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva.
Aliados de Flávio também são alvo de decisões
Do lado de Flávio Bolsonaro, publicações feitas por apoiadores também foram questionadas pela Justiça Eleitoral. O TSE determinou a retirada de conteúdos que utilizavam um vídeo gravado no exterior para associar manifestantes ligados a Lula ao consumo de drogas.
Outras postagens relacionadas a suposta perseguição religiosa, imagens produzidas por inteligência artificial e acusações de ligação direta do presidente com facções criminosas também entraram no radar da Corte.
O empresário Pablo Marçal foi alvo de uma ordem para remover um vídeo editado sobre uma bandeira brasileira entregue por Lula a um assessor. O conteúdo também passou a integrar a disputa judicial em torno da circulação de informações durante a campanha.
Canais de mobilização ampliam alcance da disputa
A batalha política também se estende ao WhatsApp, onde dois grandes canais concentram milhares de apoiadores. O “Exército do Lula” reúne aproximadamente 3,7 milhões de participantes, enquanto a “Tropa do Flávio” ultrapassa 1,4 milhão.
Os dois grupos políticos têm manifestado insatisfação com a atuação da Justiça Eleitoral. Lula questiona decisões que considera desfavoráveis à sua candidatura, enquanto Flávio e seus aliados cobram respostas mais rápidas contra publicações que classificam como falsas.
Com a proximidade da votação, a circulação de conteúdos enganosos e a disputa em torno das decisões judiciais ganharam protagonismo na campanha presidencial. O desafio do TSE é analisar as denúncias e determinar medidas contra publicações irregulares, preservando também os limites legais da liberdade de expressão e da crítica política.






















