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ENTENDA

Cobra de três cabeças: the house came down

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O cobra de três cabeças despertou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Delegacia de Repressão à Corrupção – DRCOR na manhã desta quinta-feira, 13. A operação, que chegou ao próprio Palácio do Buriti, teve como alvo o secretário da Casa Civil e pré-candidato a vice-governador na chapa de Celina Leão, Gustavo Rocha.

Às seis da manhã, o barulho das sirenes rompeu o silêncio na residência de Olegário de Moraes, o conhecido Nino, apontado como peça-chave do grupo. Durante a ação, foram recolhidos documentos, celulares e equipamentos eletrônicos considerados pelo juiz elementos cruciais para desvendar o trânsito nada republicano entre o Judiciário e o Governo do Distrito Federal, mais precisamente na Casa Militar.

A cobra de três cabeças que batiza a operação tem rostos bem conhecidos. José Roberto Arruda, ex-governador do DF e símbolo da corrupção institucionalizada, é uma das figuras. Preso no escândalo Caixa de Pandora, Arruda carrega ainda o estigma da fraude do painel eletrônico do Senado, episódio que cassou o mandato de Luiz Estevão e expôs o lado mais cínico da política brasiliense.

A segunda cabeça é Gim Argello, o “Gato de Botas”, ex-senador que provou do cárcere após ser acusado de vender proteção a empreiteiros investigados por uma CPMI. O ex-parlamentar, que hoje tenta reocupar espaço no poder, é um dos articuladores silenciosos do grupo que tenta manipular os rumos da sucessão no DF.

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A terceira cabeça é Paulo Octávio, empresário reincidente em escândalos e também implicado na Caixa de Pandora. Recentemente preso pela Polícia Civil acusado de integrar esquema de propina para concessão de alvarás, Paulo Octávio se apresenta como aliado de Ibaneis Rocha e Celina Leão, mas atua nos porões com Gim e Arruda para derrubar Gustavo Rocha. O plano seria substituí-lo na chapa por André Kubitschek, descrito por aliados como o “garoto de fraldas” do grupo.

Arruda vê em Gustavo Rocha o algoz de sua inelegibilidade e o culpa por movimentações judiciais que devem travar sua volta ao poder. Político de promessas quebradas, Arruda já protagonizou o espetáculo da contradição: jurou pelos filhos não ter fraudado o painel do Senado, caiu, e voltou ao plenário para confessar que mentira sob juramento. Agora, tenta reescrever sua biografia ao lado da ex-deputada e ex-primeira-dama Flávia Arruda, cuja derrota nas urnas ele atribui à força do próprio sobrenome — símbolo de um passado que não se apaga e sempre vem à tona às vésperas de eleições.

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Gim Argello, que traiu o governador Ibaneis e hoje tenta reerguer-se sobre as ruínas do próprio histórico criminal, movimenta suas peças com a frieza de quem conhece o submundo do poder. Recentemente, recuperou uma mansão antes em nome de laranja e montou ali o quartel-general da campanha de Arruda, reforçado por velhos aliados: Eliana Pedrosa, José Geraldo Maciel e Domingos Lamoglia, todos resgatados das cinzas da política pandorista.

Entre encontros discretos e acertos de bastidor, Arruda foi visto com o diretor da Terracap, Leonardo Mundim, seu antigo parceiro político. O movimento reacendeu o alerta no Buriti. O governador Ibaneis Rocha, informado das alianças subterrâneas, já mandou o recado: na política, o grupo só tem um lado.

Nos corredores do poder, a sensação é de que a cobra acordou — e, desta vez, pode morder as próprias cabeças.

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