A Polícia Civil de Barra do Garças deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Mesa Vazia, que apura um suposto esquema de desvio de cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social. A investigação resultou no afastamento cautelar de dois dirigentes da Agência de Regulação e Fiscalização (AGIRF) e na imposição de restrições a cinco vereadores do município.
Por decisão do juiz Luis Felipe Lara de Souza, foram afastados por 90 dias os servidores Benier Marcos Silva, então diretor institucional e de comunicação social da AGIRF, e Renato de Souza Soares, coordenador institucional e de comunicação social do órgão.
Na mesma decisão, a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva dos dois dirigentes e também dos vereadores Valdeí Leite Guimarães (Pebinha), Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza (Alan Construtor), Armando José de Brito e Elton Melo. O magistrado também rejeitou o afastamento cautelar dos parlamentares dos respectivos mandatos.
Apesar disso, os vereadores passaram a cumprir medidas restritivas e ficaram proibidos de acessar determinados locais ligados à investigação, entre eles o CRAS de Barra do Garças, a Secretaria Municipal de Inclusão, a sede da SETASC em Cuiabá, a Associação Amigos dos Animais, a Cozinha Solidária da Neura, além de uma chácara vinculada a Mauro de Melo e um imóvel no bairro Novo Horizonte relacionado à família de Renato de Souza Soares.
As diligências têm como objetivo localizar documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros elementos que possam esclarecer os fatos, identificar todos os envolvidos e confirmar o destino dos bens assistenciais investigados.
Segundo a Polícia Civil, há indícios da prática dos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. Conforme os elementos reunidos até o momento, parte das cargas que deveriam seguir o fluxo regular de distribuição teria sido desviada para um sistema paralelo, sem controle institucional e sem prestação de contas adequada.
A investigação aponta que aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza podem ter sido desviados de sua finalidade pública, gerando prejuízo estimado em R$ 1,95 milhão, além do impacto social causado pela ausência dos itens às famílias que deveriam ser beneficiadas.
Após representação da Polícia Civil e parecer favorável do Ministério Público, o Poder Judiciário autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo, afastamento de função pública e outras medidas cautelares para garantir a preservação das provas e o aprofundamento das investigações.
A Polícia Civil informou que as apurações continuam e que novos desdobramentos poderão ocorrer à medida que o material apreendido for analisado pelos investigadores.




























