O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, anunciou nesse sábado (09) que não autorizaria a ancoragem do navio MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus com oito casos registrados e três mortes confirmadas a bordo.
A decisão foi divulgada poucas horas antes da chegada prevista da embarcação ao Porto de Granadilla, na ilha de Tenerife. Segundo o presidente do governo regional, Fernando Clavijo, a medida ocorreu por falta de garantias sobre a segurança sanitária da operação.
“Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias”, declarou o governador nas redes sociais.
Em entrevista coletiva, Clavijo afirmou que o governo local não recebeu informações técnicas suficientes que assegurassem risco zero durante o desembarque dos passageiros e defendeu que a permanência do navio nas ilhas seja a menor possível.
Apesar da recusa inicial do governo regional, o governo da Espanha determinou posteriormente que o navio fosse recebido em Tenerife. A informação foi divulgada pela imprensa espanhola após decisão administrativa assinada por Ana Núñez Velasco, autorizando oficialmente a entrada da embarcação com base na legislação marítima do país.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, esteve em Tenerife para acompanhar pessoalmente a operação de desembarque e garantir o cumprimento dos protocolos sanitários.
Segundo autoridades espanholas, cidadãos espanhóis terão prioridade no desembarque. Já os demais passageiros dependerão da liberação das autoridades de saúde e da chegada de voos organizados pelos países de origem.
De acordo com a imprensa local, a Unidade Militar de Emergências da Espanha foi acionada para realizar o transporte dos passageiros até o aeroporto de Tenerife-Sul após empresas privadas recusarem participar da operação.
A chegada do navio está prevista para ocorrer entre a madrugada e o início da manhã deste domingo (10), no horário local.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também chegou neste sábado à ilha de Tenerife para acompanhar a operação.
Em carta aberta à população local, Tedros reconheceu a preocupação dos moradores diante da aproximação do navio, principalmente por causa das lembranças da pandemia da Covid-19.
“Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra ‘surto’ ou ‘epidemia’ e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente”, afirmou.
Apesar disso, o diretor-geral da OMS reforçou que o risco para a população local é considerado baixo.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, declarou.
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades sanitárias espanholas e pela OMS.




























