Pesquisar
Close this search box.

Seis vereadores destinaram R$ 5,5 milhões a instituto suspeito de lavagem de dinheiro

publicidade

Os vereadores Chico 2000, Luiz Fernando, Kássio Coelho, Wilson Kero Kero, Dídimo Vovô e Lilo Pinheiro estão no centro das investigações da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na última terça-feira (28), que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo emendas parlamentares da Câmara de Cuiabá.

De acordo com a investigação, os parlamentares destinaram R$ 5.489.787,00 ao Instituto Brasil Central (Ibrace), organização sem fins lucrativos fundada em 2021, com sede em Cuiabá, formalmente voltada à realização de eventos esportivos.

A Polícia aponta que o município de Cuiabá, especialmente a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes, foi diretamente lesado pelo esquema.

Repasses milionários

Conforme documentos obtidos pela investigação, os valores foram distribuídos da seguinte forma:

R$ 3,5 milhões – Chico 2000 (repasses individuais);

R$ 200 mil – Chico 2000 em parceria com Dídimo Vovô;

R$ 350 mil – Luiz Fernando;

R$ 400 mil – Kássio Coelho;

R$ 307 mil – Wilson Kero Kero;

R$ 317.213,00 – atribuídos a Wilson Kero Kero e Lilo Pinheiro;

Leia Também:  Polícia Civil incinera quase meia tonelada de drogas avaliada em mais de R$ 4 milhões

R$ 365.574,00 – sem identificação do autor do repasse.

Segundo a Polícia Civil, Chico 2000 foi responsável por aproximadamente 66% de todo o montante recebido pelo Ibrace, entre novembro de 2022 e abril de 2025, o que o coloca como principal alvo da operação.

Eventos esportivos e suspeitas

Entre os repasses que chamaram a atenção dos investigadores estão:

R$ 600 mil, destinados em 4 de abril de 2025 para a realização da 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá;

R$ 400 mil, transferidos cinco dias depois, em 9 de abril de 2025, para a 6ª Corrida do Legislativo, ambos por emendas impositivas do vereador Chico 2000.

Apesar de os recursos terem sido oficialmente destinados ao Ibrace, a Polícia identificou que a empresa Chiroli Esportes, de propriedade de João Nery Chiroli, era quem efetivamente organizava os eventos.

Embora Chiroli não conste formalmente no quadro do instituto, ele é apontado como representante informal da entidade e também foi alvo da operação.

“O vereador Chico 2000 destinou elevados valores, por meio de emendas impositivas, para o instituto Ibrace realizar eventos. Contudo, verificou-se que o organizador de fato era a empresa Chiroli Esportes”, destaca trecho do relatório policial.

Leia Também:  Namorado da mãe de Heloysa culpa menor, comparsa de filho, por asfixiar e matar menina

Transferência suspeita

Outro ponto considerado grave pela investigação ocorreu em 9 de abril de 2025, mesma data do repasse de R$ 400 mil ao Ibrace. Na ocasião, João Nery Chiroli realizou uma transferência via PIX de R$ 20 mil para uma construtora responsável por uma obra ligada ao vereador Chico 2000, em Chapada dos Guimarães.

Para os investigadores, a coincidência de datas e as conversas interceptadas levantam fortes indícios de irregularidades e possível retorno financeiro ilícito.

Estrutura do instituto

O Ibrace tem como presidente Alex Jony Silva, também alvo da operação. A diretoria conta ainda com Valdomiro Everson Rigolin (secretário) e Joaci Conceição Silva (tesoureiro). O conselho fiscal é formado por Osvaldo de Souza Brito, Suzana Parreira Oliveira e Eleuza Maria da Silva.

Nas redes sociais, o instituto afirma atuar na promoção da cidadania, inclusão social e fortalecimento comunitário por meio de ações esportivas, culturais e educacionais — discurso que, segundo a Polícia, não condiz com os indícios levantados durante a investigação.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade