A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão de Wesley Espinosa Souto, investigado por integrar uma organização criminosa desarticulada na Operação Conductor, da Polícia Judiciária Civil (PJC). O grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 100 milhões com o tráfico de drogas e armas no estado.
Por unanimidade, os magistrados acompanharam o voto da desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, relatora do habeas corpus apresentado pela defesa. O julgamento ocorreu no dia 10 de dezembro de 2025.
No pedido, a defesa sustentou a inexistência de contemporaneidade entre os fatos investigados e a decretação da prisão, alegando que os supostos crimes atribuídos a Wesley teriam ocorrido mais de um ano e meio antes da deflagração da operação policial, em setembro de 2025. Ele é apontado como integrante do núcleo responsável pela receptação de drogas e armas de fogo.
A relatora rejeitou o argumento e destacou que, em casos de organização criminosa, a regra da contemporaneidade pode ser flexibilizada diante da gravidade das condutas e do risco à ordem pública. Segundo a magistrada, há elementos concretos que indicam a atuação do investigado dentro da estrutura do grupo criminoso, o que justifica a manutenção da prisão preventiva.
As investigações da Operação Conductor apontam que o esquema era liderado pelo advogado Douglas Antônio Gonçalves de Almeida, preso em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. O inquérito identificou o envolvimento de ao menos 31 pessoas físicas e oito empresas no controle de toda a cadeia do tráfico, desde o transporte da droga na fronteira até o armazenamento, negociação e distribuição na Grande Cuiabá.
De acordo com a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, em um período aproximado de quatro meses o grupo recebeu mais de duas toneladas de drogas, além de armas e munições, com a chegada de um carregamento por semana. O valor estimado apenas das drogas recebidas nesse intervalo é de R$ 45 milhões, montante que corresponde aos bens bloqueados e sequestrados durante a operação.
Parte dos entorpecentes abastecia o mercado local, enquanto outra parcela era enviada para outros estados. A Polícia Civil estima que a movimentação financeira total do esquema criminoso, a partir da comercialização das drogas, tenha alcançado R$ 100 milhões.




























