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GOVERNO MS

Após leilões de rodovias e hospital, governo Riedel é acusado de “vender o Estado” com novo pacote de concessões

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O governo de Mato Grosso do Sul prepara mais um capítulo de sua agenda de concessões à iniciativa privada e, com isso, reacende o debate sobre o grau de privatização em curso no Estado. Após levar à Bolsa de Valores de São Paulo (B3) trechos de rodovias e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), a gestão de Eduardo Riedel agora monta o projeto que repassará nove aeroportos estaduais para administração privada.

A iniciativa, ainda em fase inicial, pretende atrair mais de R$ 150 milhões em investimentos para os terminais de Campo Grande, Três Lagoas, Chapadão do Sul, Coxim, Dourados, Bonito, Naviraí, Nova Andradina e Porto Murtinho. Na capital, a concessão envolverá o Aeroporto Santa Maria.

O governo afirma que o objetivo é “expandir a malha aérea, modernizar os terminais e impulsionar o escoamento da produção agroindustrial do Estado”. Porém, na medida em que novos equipamentos públicos entram na lista de repasses à iniciativa privada, críticas começam a ganhar força entre parlamentares de oposição, servidores e setores da sociedade civil.

Para esses grupos, o conjunto de iniciativas configura “uma entrega acelerada do patrimônio público”, reforçando a narrativa de que o governo estaria, na prática, “vendendo o Estado aos pedaços”  um discurso que tem sido usado como contraponto à política de concessões adotada desde o início da gestão.

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Pacote encolhido, privatização ampliada

O processo atual teve início quando o Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) enviou à empresa pública Infra S.A. um pacote com 20 aeroportos para realização de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). O documento, entregue em abril, reduziu o escopo para nove unidades, consideradas viáveis para a concessão.

Desde então, o governo trabalha na modelagem de uma parceria público-privada (PPP) que deve ser apresentada ao mercado nos próximos meses. Em outubro, o projeto foi levado a potenciais investidores na B3.

Entre as justificativas do Estado está o crescimento econômico dos municípios contemplados. Dados da Secretaria de Fazenda mostram que, em 2022, Mato Grosso do Sul registrou 10.189 estabelecimentos industriais, um aumento superior a 220% desde 2007.

Críticas: “desmonte” ou modernização?

Apesar do discurso de modernização, opositores afirmam que o governo Riedel tem adotado um modelo que reduz o papel do Estado em áreas essenciais. A concessão do HRMS  a primeira de um hospital público no país — é frequentemente citada como marco desse processo.

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Para críticos, a soma de rodovias, hospital e agora aeroportos cria um cenário em que “o governo abre mão de funções estratégicas, transferindo infraestrutura crítica para agentes privados”.

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Eles afirmam ainda que, na ausência de estudos de impacto social amplos e de garantia de tarifas acessíveis, o pacote pode resultar em desigualdade de acesso e dependência de operadores privados.

Próximos passos indefinidos

Embora apresentado ao mercado, o projeto ainda não tem data para ser leiloado. O governo também não decidiu se irá ofertar os nove aeródromos em um único pacote ou de forma individualizada  possibilidade aventada nos estudos da Infra S.A.

Enquanto a modelagem avança, cresce também o embate político: de um lado, o governo defende as concessões como caminho para dinamizar investimentos; de outro, críticas se intensificam, alimentando a percepção de que o Estado estaria passando por um processo de privatização em larga escala.

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