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GOIÁS

Advogada envolvida em esquema de agiotagem e tortura com PMs faz oração sobre dinheiro: ‘Agradeço, senhor, pela prosperidade’; vídeo

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A advogada Tatiane Meireles, suspeita de ter envolvimento em um esquema de agiotagem junto ao marido sargento, outros policiais militares e empresários, registrou um vídeo em que aparece orando sobre maços de dinheiro. Na gravação, Tatiane agradece pela “prosperidade” (veja acima).

“Agradecemos, senhor, pela prosperidade que reina nesse lar. Te pedimos, ó pai amado, que cada pessoa que receber esse dinheiro, que ela tenha gratidão”, pede Tatiane na gravação.

Os envolvidos no esquema foram presos em Luziânia durante a “Operação Mão de Ferro” na sexta-feira (28), suspeitos de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Nas imagens, é possível notar que os maços com as notas vão de R$ 20 a R$ 200. Segundo a Polícia Civil, a organização movimentou, em dois anos, mais de R$ 7 milhões oferecendo empréstimos com juros abusivos.

Ao g1, o advogado Reginaldo Paixão, responsável pela defesa de Miguel Roberto, afirmou que ele é inocente e que irá entrar com um pedido de habeas corpus. A defesa de Tatiane informou que dados sigilosos, imagens, conversas e informações pessoais da cliente foram indevidamente divulgados ao público. “Reiteramos que todas as imputações serão devidamente enfrentadas no foro adequado, com base em provas lícitas, respeitando-se o contraditório e a ampla defesa”, pontuou o texto.

g1 entrou em contato com a defesa dos demais suspeitos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A Polícia Militar de Goiás (PM-GO) afirmou que três militares foram presos durante a operação e que a corporação não compactua com “desvios de conduta”. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) afirmou que determinou o afastamento preventivo de Tatiane de suas funções institucionais (leia as notas na íntegra ao final do texto).

Segundo apurado pela TV Anhanguera e informações do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), eles passaram por audiência de custódia no sábado (29) e permaneciam presos até a última atualização desta reportagem.

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Vídeos obtidos pela TV Anhanguera mostram como funcionavam as cobranças de dívidas feitas pelo grupo. Nas imagens, as vítimas aparecem sendo ameaçadas e, algumas, agredidas durante as cobranças (veja acima).

Em um dos vídeos, Roberto Mendonça bate no rosto de uma mulher várias vezes enquanto cobra uma das dívidas. Em outro, ele chega a colocar uma arma no rosto de uma das vítimas.

Um dos devedores, estrangeiro, é obrigado a ajoelhar sob a mira de duas armas: “Ajoelha, ajoelha agora, agora”, diz o PM em uma das gravações.

Casal de sargento e advogada é alvo de operação da Polícia Civil, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram de Mike Póvoa e Tatiane Meireles

Operação “Mão de Ferro” foi realizada pela Polícia Civil de Goiás na sexta-feira (28). A ação mobilizou cerca de 80 policiais civis para o cumprimento de mais de 10 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão.

Segundo a polícia, foram alvos da operação o líder da quadrilha, bem como financiadores e executores das cobranças violentas. Além disso, a corporação informou que a advogada atuava na “blindagem jurídica” do grupo e participava das cobranças contra as vítimas.

Os investigados devem responder pelos crimes de organização criminosa, usura (agiotagem), extorsão, lavagem de dinheiro, entre outros.

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“A defesa da Dra. Tatiane Meireles vem a público reafirmar seu compromisso com a Constituição Federal, o devido processo legal e o respeito às decisões judiciais proferidas no curso da investigação criminal em andamento.

Embora informações estejam sendo veiculadas de forma ampla pela imprensa, cumpre esclarecer que o Juízo da 2ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia determinou expressamente o sigilo absoluto sobre todas as diligências e provas colhidas, bem como a manutenção da anonimização da identidade dos investigados, a fim de garantir a lisura e a imparcialidade da apuração.

O modelo de Juiz de Garantias, previsto no artigo 3º-B do Código de Processo Penal, tem como função precípua resguardar os direitos fundamentais do investigado na fase pré-processual, assegurando que eventuais medidas cautelares, como prisões e buscas, sejam apreciadas de forma imparcial, técnica e apartada da fase acusatória.

As determinações emanadas do Juízo das Garantias não representam recomendações discricionárias, mas ordens judiciais vinculantes, cuja observância é imperativa por todos os órgãos responsáveis pela persecução penal. O seu descumprimento, especialmente em sede de medidas sigilosas, compromete não apenas a validade da prova, mas também a integridade do sistema de justiça.

Ao contrário do que foi determinado judicialmente, dados sigilosos, imagens, conversas e informações pessoais da Dra. Tatiane Meireles foram indevidamente divulgados ao público, em frontal descumprimento à ordem judicial, o que pode configurar grave violação ao ordenamento jurídico vigente, além de comprometer o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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