A polêmica vai muito além do uso de carro oficial para fins pessoais. A matéria publicada pelo site Metrópoles nesta quarta-feira, 2 de julho de 2025, revelou que um assessor especial do secretário de Governo do Distrito Federal, José Humberto, estaria utilizando um veículo oficial para interesses particulares. No entanto, o que ainda não veio completamente à tona é a farra das placas vinculadas no âmbito do Governo do Distrito Federal (GDF) — um esquema camuflado, sustentado por brechas legais, que vem permitindo uma série de crimes de trânsito e favorecimentos indevidos.
Veja o Decreto nº 47.091, de 10 de abril de 2025:
O decreto flexibilizou o uso de veículos oficiais e particulares por autoridades do Executivo, permitindo inclusive o uso de placas de identificação especial (bronze ou reservada) em carros particulares cadastrados — prática que deveria ter caráter estritamente funcional. Na prática, o decreto abriu espaço para o uso indiscriminado das chamadas placas vinculadas, blindando veículos utilizados até por familiares, amigos e funcionários das autoridades. Essas placas, além disso, não identificam os motoristas, dificultando a responsabilização por infrações de trânsito.
Com isso, proliferaram os abusos. Esses carros, escudados pelo anonimato das placas vinculadas, avançam sinais vermelhos, excedem limites de velocidade e estacionam em áreas proibidas. Segundo apurado, um dos filhos de uma autoridade do GDF chegou a se envolver em um “racha”, promovendo uma disputa ilegal de velocidade pelas ruas da capital federal.
“É um verdadeiro desrespeito com a população. Usam as prerrogativas do cargo para se esconder da lei e desafiar as normas de trânsito que todo cidadão é obrigado a cumprir”, relata um servidor do Detran.
A situação escancara o uso privilegiado e irresponsável de recursos públicos. Há relatos de autoridades do governo utilizando placas vinculadas até em veículos de “namoradas”, garantindo livre circulação sem fiscalização efetiva.
Outro caso que chama atenção é o de Rômulo Gomes Tiago, assessor do secretário José Humberto. Segundo denúncias, ele não só utiliza carro com placa especial, como também aciona o Nono Batalhão da Polícia Militar para formar pelotões de recepção ao secretário em visitas ao sítio pessoal localizado na Ponte Alta. “É um tratamento de chefe de Estado, custeado com estrutura pública, para fins claramente privados”, afirma um oficial da PM sob reserva.
Rômulo também circula pelas principais empresas do DF, apresentando-se como representante direto do secretário e fazendo intermediações informais, o que levanta suspeitas sobre tráfico de influência e atuação fora dos limites da função.
Apesar da repercussão negativa, José Humberto ainda mantém o assessor no cargo, reforçando a tese de que há blindagem interna e confiança total em sua atuação.
A farra das placas vinculadas, hoje sustentada por um decreto com brechas, já representa um grave problema ético, administrativo e legal dentro da estrutura do GDF. Enquanto isso, o cidadão comum segue sujeito a multas, pontos na carteira e apreensões de veículos por infrações que autoridades cometem impunemente.




























