O Ministério Público Federal (MPF) investiga o pagamento de uma suposta comissão de R$ 700 mil pela Unimed Cuiabá à empresa Arche Negócios Ltda, sob a gestão do ex-presidente Rubens Carlos de Oliveira Júnior. O valor seria referente à intermediação de um empréstimo de R$ 33 milhões junto ao Sicoob/Credicom, mas o banco nega qualquer participação da empresa na operação.
Segundo o MPF, toda a negociação do empréstimo foi feita diretamente entre o Sicoob e a Unimed, sem qualquer intermediário. A instituição financeira afirmou que a iniciativa partiu do próprio banco em setembro de 2022, e os trâmites foram conduzidos com a então superintendente Ana Paula Parizzotto. A operação foi finalizada em dezembro daquele ano, antes da assinatura do contrato com a Arche.
Mesmo assim, um contrato de comissão entre a Unimed e a empresa foi formalizado entre 14 e 16 de dezembro de 2022, com data retroativa de outubro. A nota fiscal foi emitida antes da assinatura e incluída no sistema pela própria Parizzotto. O pagamento foi feito em 23 de dezembro, no valor exato de R$ 700 mil — ultrapassando em R$ 37 mil o teto de 2% previsto em contrato.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Bilanz, em outubro de 2024, com base nessas e outras irregularidades. Foram alvos o ex-presidente Rubens e outros cinco ex-gestores da cooperativa. Eles são investigados por simular contratos para desviar recursos da instituição, o que teria causado um rombo de cerca de R$ 400 milhões entre 2019 e 2023.
Os acusados são investigados pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e desvio de recursos. Entre os alvos estão ainda a ex-diretora Suzana Palma, o ex-CEO Eroaldo de Oliveira, a ex-superintendente Ana Paula Parizzotto, a advogada Jaqueline Larrea e a contadora Tatiana Bassan.
A atual diretoria da Unimed Cuiabá, presidida por Carlos Eduardo de Almeida Bouret, identificou as irregularidades após uma auditoria nas contas da cooperativa. Um dos principais achados foi o balanço de 2022, que teria sido maquiado para apresentar lucro de R$ 370 mil, enquanto a análise real apontava déficit de R$ 400 milhões.
O contrato com a Arche, segundo o MPF, foi simulado para legitimar o desvio de parte dos recursos do empréstimo obtido junto ao Sicoob. A empresa não participou da negociação e, por isso, não teria prestado qualquer serviço à cooperativa.
Para os investigadores, a tentativa de “formalizar” a operação com documentos retroativos demonstra a intenção de ocultar um desvio deliberado de recursos. O caso segue em apuração pelo MPF e pela Polícia Federal.





























