Nos últimos três dias, a equipe do repórter investigativo do Brasil Notícias e do site Popular MT-1 percorreu diversas unidades de saúde em Cuiabá, e os resultados foram alarmantes. As dificuldades enfrentadas por pacientes em busca de atendimento são diariamente agravadas pela escassez de leitos hospitalares e pelo caos nos agendamentos. A falta de acesso a tratamentos especializados impulsiona muitos a recorrerem à Defensoria Pública para garantir seus direitos, especialmente quando se trata de leitos de UTI.
No entanto, há uma luz no fim do túnel. O programa “Mais Médicos” se apresenta como um esforço importante para aliviar a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), levando profissionais capacitados para regiões remotas e de difícil acesso. Apesar disso, gestores da saúde em Cuiabá continuam a falhar em resolver problemas estruturais e operacionais.
O repórter investigativo visitou unidades de saúde nos bairros Tijucal, Jardim Florianópolis, Pedra 90, Pedregal e Barreiro Branco. A conclusão foi clara: todas essas unidades estão sucateadas, resultado de uma gestão descompromissada e ineficiente. Durante uma sessão na Câmara Municipal de Cuiabá, os vereadores Daniel Monteiro, Ildes Taques e Maysa Leão pediram a demissão da secretária de saúde, Lúcia Helena, que está sob intensa crítica por sua condução da pasta.
Funcionários das quatro unidades visitadas relataram, ainda, o clima de assédio moral praticado pela coordenadora de atenção básica, Catarina. Segundo testemunhos, ela se autodenomina “a mulher que o prefeito não pode afastar da pasta”, suscitando questionamentos sobre a proximidade dela com o prefeito Abílio Brunini e possíveis relações de nepotismo.
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Barreiro Branco, a precariedade é evidente. Problemas estruturais, como a sala de medicação localizada próxima ao local de armazenamento de medicamentos, geram insegurança aos pacientes. Um relato impactante destacou a declaração da própria secretária de saúde, que considerou a região como não prioritária para o município, o que gerou indignação entre os moradores.
“Estamos dentro da zona urbana e somos considerados área rural. Na época de eleição, nossos votos contam, mas na hora de receber atendimento, somos ignorados”, desabafou um morador, refletindo a frustração da comunidade que enfrenta ruas em condições precárias e a falta de infraestrutura necessária para o atendimento médico adequado.
As condições de atendimento são tão críticas que a UBS não conta com internet ou equipamentos básicos, e a farmácia improvisada enfrenta constantes faltas de medicamentos. A situação é ainda mais complicada pela presença de clínicas de reabilitação nas proximidades, aumentando o risco de contaminação para os profissionais de saúde.
Além dos problemas sanitários, o acúmulo de lixo é visível, demonstrando a falta de comprometimento com a saúde pública. Estranhamente, um garimpo pertencente ao governador do estado, Mauro Mendes, está localizado nas proximidades da UBS, levantando inquietações sobre as prioridades administrativas na saúde local.
Enquanto isso, uma investigação mais profunda revelou nepotismo flagrante nas nomeações dentro da pasta da saúde, com a secretária adjunta de atenção primária nomeando seus familiares para cargos de importância, como o sobrinho como coordenador das UBS na zona rural, e o marido atuando como motorista no gabinete, recebendo um bônus de R$ 4.000.
Na Policlínica do Pedra 90, médicos dedicados tentam oferecer cuidados apesar da escassez de recursos. Sem a receita azul por mais de duas semanas, eles foram forçados a improvisar, demonstrando um comprometimento que contrasta fortemente com o descaso da gestão.
A realidade da saúde em Cuiabá é, portanto, alarmante. Com um cenário marcado por promessas não cumpridas e gestão ineficiente, a urgência de reformas e um comprometimento real com a saúde da população se torna evidente. A luta por dignidade e melhorias no sistema de saúde deve ser encarada como uma prioridade para as autoridades e para a sociedade.





























