Cuiabá (MT) – A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso anulou, no Diário Oficial do dia 27, uma dispensa de licitação de R$ 12,3 milhões que beneficiaria o Centro de Reabilitação Psicossocial de Cuiabá (Creap). O processo foi interrompido menos de 24 horas após a prisão, pela Polícia Federal, do empresário Humberto Silva Baccin, sócio do Creap, apontado como peça chave em um suposto esquema nacional de desvio de recursos da saúde.
A contratação previa a aquisição de leitos de internação infantojuvenil para tratamento em saúde mental, sem necessidade de licitação. O processo estava em tramitação interna quando a Operação Paralelo Cinco ganhou repercussão em Mato Grosso.
Baccin foi preso em Cuiabá durante a operação, desencadeada pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Ele é investigado por supostamente comandar um esquema envolvendo a administração de hospitais públicos em Jaraguari (RS) e Embu das Artes (SP), onde auditorias identificaram possíveis desvios que podem chegar a R$ 340 milhões.
A relação empresarial que mais chamou atenção é com Diógenes de Abreu Fagundes, seu sócio no Creap e filho do senador Wellington Fagundes (PL) e o vínculo conjugal com a deputada estadual Janaína Riva (MDB) — pré-candidata ao Senado — ambos circulam no mesmo ambiente político, o que aumenta a repercussão pública sobre o caso.
A equipe de reportagem investigativa do Brasil Notícia / Popular MT1 vem monitorando, há meses, a atuação das empresas ligadas a Diógenes Fagundes e a seus sócios. O grupo jornalístico analisou contratos, processos administrativos e relações comerciais que se desdobram entre diferentes estados.
Segundo informações levantadas pela equipe, o empresário preso em Cuiabá já vinha sendo citado em apurações preliminares sobre possíveis irregularidades, e a conexão entre ele e Diógenes chama atenção pelo potencial alcance. Documentos e dados obtidos até agora sugerem que o prejuízo estimado em operações envolvendo empresas dos investigados pode ultrapassar cifras absurdas, valor ainda em apuração e sem conclusão definitiva.
Fonte da Secretaria de Saúde afirmou que o processo do Creap havia recebido a sigla “CD” – Celeridade e Discrição, usada internamente para tramitações consideradas sensíveis.
O contrato aguardava parecer técnico quando a prisão de Baccin foi divulgada. Minutos depois, servidores indicam que o processo foi colocado em “estado de espera”, até que o secretário Gilberto Figueiredo determinou oficialmente sua anulação, publicada no DO de 27 de novembro.
O secretário Gilberto Figueiredo não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Diógenes Fagundes também não se manifestou.
O senador Wellington Fagundes e a deputada Janaína Riva não comentaram a decisão da SES nem a relação de seus nomes com a investigação.
Especialistas e servidores consultados avaliam que o cancelamento reduz drasticamente a possibilidade de retomada da contratação. A exposição pública do caso, somada ao envolvimento de investigados em operação de âmbito federal, coloca o processo sob forte desconfiança política e administrativa.
A reportagem seguirá acompanhando cada desdobramento.





























