As investigações fazem parte da Operação Gomorra, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso, e apontam que a empresa teria participado de fraudes em processos licitatórios que envolvem mais de 100 municípios. O objetivo seria favorecer contratos por meio de manipulação nos certames, com participação de agentes públicos.
A empresa atua principalmente na gestão de frotas e terceirização de serviços. De acordo com as apurações, essas atividades estariam sendo usadas para práticas como sobrepreço e desvio de recursos públicos por meio de mecanismos como o uso de cartões de abastecimento.
O responsável formal pela empresa, Jânio Corrêa da Silva, foi preso no final de 2024. Já o verdadeiro controlador, segundo o MP, seria Edézio Corrêa, também detido, e já envolvido em outro escândalo de corrupção no Mato Grosso.
Contratos em MS
Em Mato Grosso do Sul, dez municípios fecharam contratos com a empresa neste ano. Veja a lista:
| Município | Prefeito(a) | Valor do contrato |
| Paranaíba | Maycol Henrique Queiroz Andrade (PSDB) | R$ 14.402.302,89 |
| Terenos | Henrique Wancura Budke (PSDB) | R$ 11.129.985,64 |
| Anaurilândia | Rafael Gusmão Hamamoto (PP) | R$ 7.840.042,02 |
| Amambai | Sérgio Diozebio Barbosa (MDB) | R$ 7.839.057,83 |
| Água Clara | Gerolina da Silva Alves (PSDB) | R$ 7.460.577,83 |
| Jardim | Juliano da Cunha Miranda, o Guga (PSDB) | R$ 6.655.371,28 |
| Pedro Gomes | Murilo Jorge Vaz Silva (PL) | R$ 5.000.000,00 |
| Ivinhema | Juliano Ferro Barros Donato (PSDB) | R$ 4.995.750,45 |
| Juti | Gilson Marcos da Cruz (PSDB) | R$ 2.000.000,00 |
| Rio Verde de MT | Réus Fornari (PP) | R$ 1.881.827,56 |
Grande parte dos contratos foi feita por meio de adesão à ata de registro de preços do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário dos Municípios do Extremo Sul de Minas (Cimesmi).
Em Paranaíba, o contrato foi aditivado recentemente pela quinta vez, somando mais R$ 4,5 milhões. Já em Terenos, o serviço inclui rastreamento de veículos e gestão da frota municipal.
Reações dos prefeitos
O prefeito de Ivinhema declarou que não vê problemas na contratação:
“A empresa está sendo investigada, mas aqui seguimos todos os trâmites legais. Se houver erro, que a Justiça responsabilize. O contrato foi feito com base em uma ata válida.”
Já o prefeito de Amambai defendeu a legalidade da contratação:
“A empresa está habilitada legalmente. Tem processos, mas está cumprindo com as obrigações contratuais durante nossa gestão.”
Alguns dos municípios já estiveram no centro de outras investigações. Água Clara, por exemplo, foi alvo de denúncias relacionadas a desvio de verbas da merenda escolar. Terenos teve um ex-secretário preso em 2024 por suspeita de fraudes em obras públicas.
A reportagem tentou contato com os prefeitos mencionados e com a empresa Centro América, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.


























