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Coluna do Mino

A teia de poder da deputada Jane Klebia

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Na última semana, a deputada distrital e delegada da Polícia Civil do DF, Jane Klebia (MDB), usou a tribuna da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para tentar desviar o foco de uma denúncia explosiva publicada pelo Fatos Online, assinada pelo jornalista Mino Pedrosa. A matéria revelou o que pode ser um dos mais extensos esquemas de nomeações familiares e favorecimentos cruzados no governo local, envolvendo diretamente a parlamentar.

A denúncia, fundamentada em documentos oficiais extraídos do Diário Oficial do DF (DODF), expõe um verdadeiro feudo de parentes e aliados políticos da deputada em cargos comissionados espalhados por diversas estruturas do Governo do Distrito Federal (GDF) e da própria CLDF. Além disso, a reportagem apontou a distribuição dirigida de emendas parlamentares a setores e órgãos que, coincidentemente — ou não —, acolheram familiares da parlamentar.

Um dos casos mais simbólicos envolve o Departamento de Estradas e Rodagem (DER-DF), presidido por Fause Nacfur. Jane Klebia destinou R$ 1,99 milhão ao órgão e, em contrapartida, viu seu atual marido, Paulo Marcelo, ser nomeado na estrutura. O episódio configura um possível uso de recursos públicos como moeda de troca por influência e cargos — prática que, além de imoral, pode ser enquadrada em diversas ilegalidades.

Durante sua defesa no plenário, a deputada adotou um tom agressivo, tentando associar as críticas ao racismo — tema que jamais foi abordado na matéria. Em um discurso recheado de termos ofensivos e insinuações ameaçadoras, a parlamentar declarou que buscaria “até no quinto dos infernos” o jornalista, a quem acusou de não ter “nome nem endereço”. A ironia é que, em boletim de ocorrência registrado na 3ª DP — onde Jane já foi titular — consta não apenas o nome como o endereço completo do jornalista Mino Pedrosa, que foi impedido de entrar na CLDF ao tentar exercer sua função profissional.

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A reação desproporcional da deputada não apaga os fatos. Os nomes estão lá, com CPF e contracheque, muitos deles já nas mãos da Promotoria Criminal do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Veja a lista de apadrinhados com vínculos familiares diretos e indiretos com Jane Klebia:

  • Paulo Marcelo – atual marido, nomeado no DER-DF

  • Esdras Vinícius – filho, no gabinete de Agaciel Maia

  • Marcos Felipe da Paixão Nascimento – filho, na Novacap

  • Luana Maia da Paixão – nora, na Subsecretaria de Proteção à Mulher

  • Cleonice Pereira da Paixão – esposa do sobrinho Marcos Nascimento Gomes

  • Judite da Paixão Vieira – ex-cunhada

  • Vinicius Gonçalves dos Santos – sobrinho do marido

  • Rosemary Maria do Nascimento – tia

  • Thalita Monteiro do Nascimento – prima, nomeações no Paranoá e TCDF

  • Daniele de Oliveira Vieira Paixão – nora, no TCDF

  • Dilson Bulhões do Nascimento – primo, administrador do Itapoã

  • Débora Nascimento dos Santos Diniz – chefe de gabinete do Itapoã

  • Raphaela de Souza Silva da Paixão – ex-nora

  • Lucas Roger Nascimento e Guilherme Monteiro Gomes – primos, atuantes no Paranoá

  • Rogério Paixão de Souza – sobrinho do ex-marido, assessor especial na CLDF

  • Eudes de Souza Vieira Filho – cunhado do filho

  • Tatiana Araújo Costa – esposa do primo

  • Fabiana Rodrigues Borges – esposa de primo

  • Alisson Araújo – sócio da R5 CO Tecnologia, empresa da área beneficiada por emendas da deputada

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Chama a atenção o contraste entre os mais de R$ 10 milhões em emendas enviadas por Jane para a área de tecnologia — setor no qual há vínculos comerciais de pessoas próximas — e os pouco mais de R$ 1 milhão destinados à segurança pública, área onde a deputada construiu sua carreira.

A revelação desses vínculos, somada ao comportamento intimidatório da parlamentar contra a imprensa, acende um alerta sobre o uso patrimonialista do mandato, a instrumentalização da polícia para fins políticos e o desprezo pelo princípio da moralidade pública. Ao tentar inverter o foco da denúncia, Jane Klebia escancara a fragilidade de seus argumentos e a profundidade da crise ética que envolve seu gabinete.

A pergunta que agora se impõe é: quantas estruturas públicas ainda estão a serviço dos interesses de um sobrenome?

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