O senador e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Jayme Campos (União), fez uma denúncia dura contra o megaempresário do agronegócio Blairo Maggi (PP), a quem acusa de sonegar cerca de R$ 2 bilhões em contribuições ao Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Segundo Campos, caso seja eleito governador, a cobrança será imediata e o montante será destinado ao pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) de 19,58% dos servidores públicos estaduais.
“Tem cabimento um trem desses? Blairo Maggi não paga Fethab. A dívida chega a R$ 2 bilhões. Ele paga, e eu separo esse dinheiro para quitar os 19% dos servidores. Existe uma liminar, e se eu for governador, vou atrás dela. Ele vai pagar ao Estado”, disparou o senador.
Criado em 2000, no governo de Dante de Oliveira, o Fethab é uma das principais fontes de financiamento da infraestrutura estadual, especialmente para construção, recuperação e manutenção de rodovias, além de programas habitacionais de interesse social. O fundo incide sobre atividades estratégicas da economia mato-grossense, como agronegócio, pecuária, setor madeireiro e mineração, envolvendo produtos como soja, milho, algodão e bovinos.
De acordo com a legislação, a contribuição deve ser recolhida por produtores rurais, frigoríficos, cooperativas, tradings e indústrias, geralmente no momento da comercialização, transporte ou abate.
Os recursos arrecadados são destinados, por lei, principalmente à Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) e a projetos habitacionais.
Jayme Campos afirmou ainda que Blairo Maggi não é o único grande devedor. Segundo ele, outros 51 empresários também acumulam dívidas com o Estado, embora não tenha citado nomes. O senador criticou encontros recentes de bilionários e políticos em Balneário Camboriú (SC) e fez novas acusações.
“Ele e mais 51 ‘artistas’, bacanas, estavam lá em Balneário Camboriú. É só cobrar essa turma que o problema dos 19% dos servidores está resolvido. Por que Júlio Campos paga? Por que Jayme paga? E vocês não? Vai pagar sim. Temos que acabar com essa máfia. Tem gente usando o erário público para fazer negociata”, atacou.
A declaração eleva o tom da disputa política em Mato Grosso e coloca o Fethab no centro do debate eleitoral, ao associar a cobrança de grandes devedores ao pagamento de direitos represados dos servidores públicos estaduais.


























